Fotografia que aproxima tempos e renova sonhos.

alexandra_valenti_debora_tessler

Leslie Crow por Alexandra Valenti.

Fotografia, na definição clássica de Henri Cartier-Bresson, consiste em colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração. O “momento decisivo” de que tratava o fotógrafo francês, porém, há muito tempo ganha pequenos ajustes depois do clique. Pinturas, bordados e mais recentemente o próprio photoshop são recursos que diminuem a distância entre realidade e sonho no resultado final da imagem.

retratos_debora_tessler

Pintura sobre fotografia no Nordeste brasileiro, quase um Photoshop low-tech.

Em exemplo bem ilustrativo, o site Update or Die mostrou retratos pintados do nordeste brasileiro, tratando-os como uma espécie de Photoshop low-tech. Técnica bastante popular no século XIX, consistia em fazer pinturas sobre a foto em preto e branco – às vezes acrescentando joias, auras celestiais nas crianças e (sim!) parentes que já nem viviam mais.

A interferência de Alexandra Valenti sobre as fotos também tem um resultado incrível. O clique que abre este post mostra Leslie Crow adentrando universos praticamente mágicos depois que a cor invade imagens em preto e branco – vale a pena dar uma olhada na série completa.

maurizio-anzeri_debora_tessler

Hair Sculptures, por Maurizio Anzeri

O trabalho sobre imagens fica ainda mais interessante quando também aproxima épocas distintas. Assim, fotografias de outros tempos ganham cores, novos contornos e até texturas que acabam por ressignificar um projeto dado por encerrado. Não é o que se percebe na série Hair Sculptures, de Maurizio Anzeri? Sobre as fotos, ele afirma: “Inspiro-me nas minhas próprias experiências e na observação de como, em outras culturas, corpos humanos são tratados como símbolos gráficos vivos. Uso costura e bordado para marcar o espaço com sinais e traços. Estou interessado nas histórias das pessoas e na relação entre a intimidade e o mundo exterior (em entrevista para o site Trendland).

Trabalho de Rochele Zandavalli.

Trabalho de Rochele Zandavalli.

Por aqui, Rochele Zandavalli também utiliza a técnica de bordado sobre imagens antigas. Para quem quiser lembrar, falamos sobre a artista quando bolamos um roteiro de arte em bordado para visitar em Porto Alegre.

Inspiração sem fim!

 

 

Salões porteños para mudar o visual!

isa_silveira_debora_tessler_2

Entre as muitas coisas boas de viajar, uma das minhas preferidas é trazer na mala um pouco do que vi nas roupas, nos cabelos, no lifestyle e na comida de outros lugares. Pois eu sempre tive fixação pelos cabelos das argentinas, sempre cuidadosamente escabelados para passar uma ideia de despretensão – que vale também para as roupas que elas usam. Com a ajuda de um porteño fui ao Prana, um salão superdescolado. Claro que meu amigo me ajudou na tradução, afinal, por mais que eu domine o idioma, um equívoco neste momento pode ser fatal!

isa_silveira_debora_tessler

Nem preciso dizer que me apaixonei pelo corte, pelo salão, pelo cabelereiro (o Márcio, que mais parece o Jack White) e pelo preço do corte, que saiu por cerca de 30 reais – e desde 2009 só corto o cabelo por lá. Eles cortam a seco e lavam o cabelo depois, para não haver surpresas na hora de lidar sozinha com as melenas. Há um mês, arrisquei conhecer um novo salão que também recomendo, o Roho. Lá fiz um flequillo (franja) que a mi, me gustó!

É ter coragem e ousar num novo visual.

* Isa Silveira é jornalista e viaja para Buenos Aires como quem vai ali na esquina. Apaixonada pelo clima porteño, está sempre antenada no que a cidade oferece de mais divertido, descolado e bacana. No site Me Encanta Buenos Aires ela compartilha dicas e impressões sobre a capital argentina, e agora vai contar um pouco de suas descobertas aqui no blog.

Felipe Hemb: visão masculina – e muito prática – sobre a moda.

Felipe_Hemb_Debora_Tessler

Prestes a completar um ano da loja que leva seu sobrenome, Felipe Hemb mostra-se tranquilo e satisfeito com as escolhas que fez até o momento. Há algum tempo imaginando um negócio próprio, percorreu um longo caminho junto aos negócios da família até que tudo indicasse que era hora de assumir as próprias escolhas.

Felipe_Hemb_Debora_Tessler_3

Felipe_Hemb_Debora_Tessler_8

Administrador de formação, fez pós-graduação nos Estados Unidos e sempre gostou de viajar para respirar novos ares. Fã de moda, não teve dúvidas na hora de definir um novo rumo a trilhar. Mas tinha algumas ressalvas: não queria uma franquia ou uma simples loja de roupas. Por isso cercou-se de uma equipe que tinha como objetivo elaborar um plano com foco no design estratégico. E assim, depois de muita pesquisa, surgiu a Hemb [Forma e Conteúdo], fruto da observação sobre a inexistência de um espaço para o público masculino em Porto Alegre. Para compensar a lacuna, o projeto trouxe à cidade 50 marcas nacionais e internacionais de peso.

Felipe_Hemb_Debora_Tessler_2

Felipe_Hemb_Debora_Tessler_5

Felipe participa de todo o processo, inclusive da curadoria das marcas – que, sem sombra de dúvidas, revelam muito de seu estilo pessoal. Hoje ele tem experiência para traçar um breve perfil do comportamento do homem porto-alegrense na hora de se vestir: ”Tenho clientes muito antenados, que sabem o que acontece na moda. Percebo que o homem está mais aberto para consumir produtos diferentes do que é considerado convencional. Além disso, notamos que se antes os homens raramente iam às lojas, hoje alguns vêm semanalmente aqui para conhecer as novidades. Noto que cada homem incorpora estilos diferentes ao longo do dia ou da semana, alternando vários perfis em uma pessoa só”.

A escolha pelo lugar onde instalou a loja também não foi casual. O empresário descobriu que os homens não se sentiam à vontade com a ideia de bater perna no shopping, porque para eles o ideal é ir a um só lugar e encontrar tudo – “estacionar o carro e resolver a vida”. É por isso que a Hemb oferece desde o pijama ao traje do casamento, passando por opções de presentes e objetos de design. Sem contar o impacto das lojas de rua no bairro, que geram um movimento de valorização dos espaços públicos (para quem ainda não conhece, a Hemb fica no número 600 da Anita Garibaldi).

Felipe_Hemb_Debora_Tessler_7

Felipe_Hemb_Debora_Tesser_6

A comemoração de um ano da loja é um momento especial. Tranquilo, o jovem conta: “Ter um negócio próprio mudou muito a minha vida. Moro perto da loja e estou sempre por aqui, não por achar necessário controlar tudo, mas porque gosto do dia a dia. Trabalhar não é um sacrifício para mim. Adoro lidar com as pessoas e aqui todo mundo trabalha feliz. Tem cliente que vira amigo e vem na loja para tomar um cafezinho ou fazer o nó da gravata”, diverte-se.

Um dos presentes de 1 ano da Hemb veio da indicação da Farfetch, que considerou a loja uma das 10 melhores multimarcas do país (o concurso agora está na fase final, submetido à votação do público). Mas o que deixa Felipe realmente feliz, quando se trata da Hemb, é um pouco mais simples: ”adoro chegar a uma festa de aniversário e ver as sacolas da marca”.

Felipe_Hemb_Debora_Tessler_4

Felipe_Hemb_Debora_Tesser

Para fechar, perguntamos ao Felipe quais os itens que ele considera indispensáveis ao “homem Hemb”. Entre eles, um blazer bem cortado e de ótimo caimento (aponta o modelo da marca Gant), uma camisa mais arrojada (sugeriu as peças da El Burgués) e uma mateira de design bem simples (que leva o selo da loja).

Felipe_Hemb

A comemoração de aniversário acontece no sábado, a partir das 17h, e vai ter cervejas especiais e show de blues com Fernando Noronha & Luciano Leães. Nos vemos lá?

Crédito das fotos: Ricardo Lage

Biblioteca Pública de Histórias de Vida

guneriussen_debora_tessler

Connections, de Rune Guneriussen

De onde vem nosso gosto por contar e ouvir histórias? Seja qual for a resposta, o fato é que de um tempo para cá a web tornou-se espaço propício para isso.

Conforme Anders Colden-Jorgensen, em texto da Scenario Magazine, o formato em que foi lançada a internet estimulava o anonimato. Em outras épocas, até mesmo na comunicação via “chat”, era possível atribuir-se um apelido qualquer e até mesmo brincar de ser outra pessoa. A chegada das redes sociais, porém, alterou essa dinâmica e levou os usuários a assumirem seus verdadeiros nomes e histórias de vida. No Facebook, por exemplo, há uma confiança de que estamos conectados a pessoas reais – que falam sobre a própria vida. O resultado dessa mudança: de rede de informações, a internet virou rede de identidade.

Cowbird_Debora_Tessler

Uma rede social para contar histórias.

O espaço relativamente curto e muitas vezes superficial de contar experiências nas redes sociais levou à criação de uma plataforma dedicada exclusivamente à vida, às lembranças e às histórias de cada um. Reunidos no Cowbird, estes relatos formam uma espécie de biblioteca pública de experiências humanas, que tem como objetivo criar um acervo que não apenas conecta pessoas mas também lhes ajuda a criar uma espécie de conhecimento coletivo. No Cowbird, a ideia é levar mais tempo para falar dos próprios sentimentos, mostrando o lado pessoal dos fatos e dando relevância à leitura – que por isso tende a durar na memória de quem leu. A síntese do projeto é simples e profunda: contar uma história aumenta nossa consciência, e ler histórias nos dá um maior senso de compaixão.

ana_teixeira_debora_tessler

Escuto histórias de amor, da artista Ana Teixeira.

Ao personalizar os relatos com fotos, imagens, áudio e vídeos, cria-se um diário audiovisual bem completo. Quem aí tem algo bonito para contar?

 

Animals e Grid, de Ryan McGinley.

Ryan_McGinley_Debora_Tessler

Conheci o trabalho do Ryan McGinley em 2010, quando me tornei assistente do Peter Hay Halpert, colecionador e dealer da Peter Hay Halpert Fine Art aqui em Nova York. Foi o Peter quem descobriu McGinley há doze anos atrás, quando ele e outros formandos da Parsons School of Design bateram na porta da galeria pedindo apoio para montarem a exposição de encerramento do curso. De imediato, o Peter passou a representar McGinley, e em três anos ele se tornaria o fotógrafo mais jovem a ter uma individual no Whitney Museum. Chamar a carreira de McGinley de meteórica é certamente um eufemismo. Fotografando seus amigos do Brooklyn, quase sempre hipsters e pelados em meio a paisagens idílicas, McGinley se tornou uma sensação do dia para a noite, passando a transitar entre o mundo da arte, da moda, e da publicidade.

ryan_mcginley_debora_tessler_fran_kath

Em sua mais recente individual na Team Gallery, inaugurada com uma block party que fechou a Grand Street no Soho na última quarta-feira, McGinley trocou o meio do mato pelo estúdio. Como de praxe, ele largou bicharada e modelos juntos em frente à lente e clicou a improvisação. Não é a primeira vez que McGinley fotografa animais interagindo com humanos, mas é certamente a primeira vez que ele faz uma série inteira num ambiente tão controlado e tão colorido. Animals é talvez seu trabalho menos espontâneo e mais formal, em que ele se detém especificamente em detalhes e curvas do corpo estático, ao invés de capturá-lo em movimento. Os animais são as estrelas da série e são eles que se movem, servindo os modelos de meros acessórios pra diversão dos bichanos. As composições são vibrantes e, no mínimo, inusitadas.

A exposição continua na galeria da Wooster Street com Grid, série de close-ups de jovens se divertindo extasiados em shows de rock, que McGinley fotografou ao longo de quatro anos. Animals e Grid ficam em cartaz na Team Gallery até 2 de junho.

Fran Kath é art historian de profissão, publicitária de formação e fotógrafa por empurrão. Curiosa de matar, persistente de irritar, art gallery addicted e bibliômana confessa. Morou em Porto Alegre, Londres, Paris e no mar. Hoje em dia navega o NYCsubway atrás de arte que me arrepia a nuca e embrulha as tripas. É redatora do blog NYartRider e colabora aqui no blog.

Design de borracha para dar espaço ao inesperado.

prateleiras_debora_tessler

As prateleiras Rubber Shelves, de Luke Hart.

A matéria prima é definidora de formatos, funções e usos. Por isso a graça de, nos processos de feitura de determinados objetos, substituir materiais, abrindo espaço para o inesperado. É o que acontece quando se utiliza a borracha como matéria prima: ela se adapta ao corpo em acessórios de moda, molda-se ao peso dos objetos quando vira prateleira e se enche de voltas para dar corpo a pufes. Nestes casos, metal, madeira e espuma ficam para trás.

As propriedades maleáveis da borracha podem conferir graça a objetos notoriamente rígidos – prateleiras, por exemplo. As Rubber Shelves (imagem acima), criadas por Luke Hart, moldam-se pelo peso dos livros e brincam com o espaço onde são instaladas. Lúdicas, as peças refletem uma característica da borracha: assumir ares de infância e de divertimento.

tun_design

Acessórios da Tun Design

A busca pelo lúdico também é um dos objetivos da artista plástica Lia Menna Barreto, que há muito tempo recorre à borracha: na época da faculdade de artes, produzia acessórios manualmente a partir do material. A relação se manteve nas criações artísticas, quando ela recortou e revirou brinquedos, compondo obras que mostram o reverso dos materiais, novas possibilidade e sensações. E há alguns anos, na companhia de Mauro Fuke, formou a Tun, marca de acessórios contemporâneos para o corpo. Em entrevista ao blog da Pandorga, Lia falou sobre o apreço que tem pela borracha – que na Tun ganha forma a partir do corte a laser – e comentou a alegria de fazer dos acessórios de moda pequenos itens artísticos: “A arte é muito inacessível, remota. A Tun tem um pouco a intenção de viabilizar a arte para um número muito maior de pessoas que admiram o nosso trabalho”.

latex-roll-pouf_debora_tessler

Latex Roll Pouf

Já os pufes Latex Roll são produzidos com restos da borracha da indústria calçadista italiana. Desenvolvidos pela 13 Ricrea, aparecem em diversas cores e geram curiosidade e encantamento por mostrarem que com criatividade é possível gerar soluções novas até mesmo para aquilo que conhecemos tão bem.

Afinal, não esta a característica mais instigante do design?

Nostalgia Tecnológica: das redes sociais para o papel – ou a cerâmica.

A ânsia por registros fotográficos não é nenhuma novidade: viagens, shows musicais, crescimento das crianças, tudo é clicado à exaustão. E o destino dessas imagens, na maioria das vezes, se encerra no momento do compartilhamento na esfera virtual em redes como Facebook e Instagram.

Image_Snap_Debora_Tessler

Fotos de Facebook e Instagram viram azulejos...

Image_Snap_Debora_Tessler_2

...ou ímãs de geladeira, via Image Snap.

Como tudo que é levado ao extremo, este movimento vem sofrendo uma leve reação contrária – um passo de volta, pequeno retorno ao tempo em que era possível rememorar fatos antigos a partir de fotos espalhadas em murais, porta-retratos ou álbuns cheios de anotações. É claro que nem tudo é nostalgia: a tecnologia não fica de fora e une o desejo de materialização das memórias com recursos bem moderninhos.

Um desses exemplos é o da empresa Image Snap, que transforma fotos em azulejos e ímãs de geladeiras. A novidade? Dá para subir as fotos diretamente do Instagram ou do Facebook, o que facilita bastante a vida de quem nem lembra mais o que é armazenar fotos de outra maneira. O pedido é feito online e há envio para o Brasil.

paislee_debora_tessler

Um exemplo de álbum criado pela empresa Paislee Press.

paislee_debora_tessler_1

Impresso em papel, o material resgata a necessidade de compartilhamento também fora das redes.

Já a empresa Paislee Press dá outro bom exemplo de como usar tecnologia e design para unir fisicamente as pessoas em torno dos álbuns. Misturando atividades online e offline, as crianças podem contar muitas histórias com desenhos e rabiscos, gerando conexões com as imagens e com a família ao redor.

Fotos para carregar por aí.

Palheta no bolso, dedo roxo, zunido no ouvido e… The Hives!

The_Hives_Fran_Kath_Debora_Tessler

The Hives | Foto: Fran Kath

Comprar ingressos pra shows em Nova York às vezes é como ganhar na Mega Sena. São quintenhos mil viventes disputando um mísero ticket, que normalmente evapora em milésimos de segundos. Especialmente em venues pequenas, é preciso uma conjunção astrológica entre um gatilho rápido, a conexão de internet que colabora, e aquela figa danada pra dar sorte. Então, quando a minha tentativa de conseguir um lugar entre os trezentos sortudos do primeiro show do The Hives na cidade deu certo, eu sabia que nunca mais ficaria milionária nessa vida.

The_Hives_Debora_Tessler_6

The Hives | Foto: Fran Kath

Very Special Show, como eles próprios anunciaram, foi no The Studio, no subsolo do Webster Hall, um club que não é pequeno, é minúsculo. E trezentas pessoas suadas e histéricas, ampinhadas no underground nova-iorquino com a banda mais demente do planeta, só podia dar no que deu: o melhor show de todos os meus tempos. Do alto dos meus trinta e poucos desci novamente aos dezoito e acabei voltando pra casa com uma palheta no bolso, um dedo roxo e um zunido no ouvido.

The_Hives_Debora_Tessler

The Hives | Foto: Fran Kath

The_Hives_Debora_Tessler_4

The Hives | Foto: Fran Kath ccviu

Tocaram minhas favoritas: You Got It All Wrong, Won’t Be Long e No Pun Intended, e também as novas Wait a Minute e Go Right Ahead. Encerraram o bis com Tick Tick Boom, momento em que todo mundo, banda, público, fotógrafos, bartenders, seguranças, e periga até a tiazinha do banheiro, literalmente explodiram. Entre bêbados e infartados, não sobrou pedra sobre pedra. A banda se curvou pra agradecer o público que se entreolhava embasbacado. Ninguém entendeu nada, e eu sinceramente ainda tenho minhas dúvidas se não foi um sonho. Opa, não, meu dedo continua roxo.

The_Hives_Debora_Tessler_3

The Hives | Foto: Fran Kath

Fran Kath é art historian de profissão, publicitária de formação e fotógrafa por empurrão. Curiosa de matar, persistente de irritar, art gallery addicted e bibliômana confessa. Morou em Porto Alegre, Londres, Paris e no mar. Hoje em dia navega o NYCsubway atrás de arte que me arrepia a nuca e embrulha as tripas. É redatora do blog NYartRider e colabora aqui no blog

Conversas sobre cinema no Tribeca Film Festival, em NYC.

tribeca_film_festival_3

O final do mês de abril em Nova Iorque foi marcado pelo TriBeCa Film Festival. Em sua décima edição, o festival tem por tradição lançar documentários, filmes de curta/longa metragem e, especialmente, produções independentes. O interessante na participação destes filmes é que além de serem apresentados para uma considerável quantidade de pessoas, podem receber feedbacks de um público altamente qualificado e ser vendidos para estúdios maiores ou distribuidoras – alcançando assim, por meio das salas de cinema tradicionais, os grandes públicos. Além disso também há uma forma de premiação ao final dos 10 dias do evento.

O festival foi criado em 2002 em resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001. Na época, o intuito era aumentar investimentos e a vitalidade do bairro TriBeCa, mas acabou se tornando um dos principais eventos da indústria do entretenimento. Além disso, o festival tem o objetivo de incentivar a indústria cinematográfica mundial e o público em geral a redesenhar as típicas mostras de filmes. O sucesso do festival também é relacionado ao apoio de seu fundador, o ator Robert de Niro, assim como de outros grandes nomes no cinema e dos maiores estúdios e marcas – que investem em filmes como Chipotle, American Express e GE. Porém, mais do que conferir as mostras de filmes que ainda não estão em meios comerciais, vale muito participar dos painéis de discussões e das palestras que são proporcionadas no evento. Este ano eu consegui participar de três delas.

tribeca_film_festival_2

A primeira foi uma bate-papo sobre os 100 anos da Universal Studios, com o ator Robert de Niro e o produtor e diretor Judd Apatow. Os dois contaram um pouco das respectivas trajetórias na industria cinematográfica e das participações no estúdio, bem como falaram sobre a importância de desenvolver novos talentos no meio, que sofre por falta de novas ideias. É desnecessário comentar o quão interessante foi a conversa dos dois, mas mais do que o assunto foi extremamente divertido assistir a não combinação de personalidades: De Niro sempre sério, enquanto Apatow não poderia ser mais engraçado.

A segunda palestra teve a presença dos diretores da GE, American Express, Chipotle e do diretor de cinema Brett Ratner. O assunto foi a presença de marcas em filmes, e como isso pode influenciar o comportamento dos consumidores. Os principais erros e acertos na promoção de marcas em filmes foram tratados, além da menção a diversos comerciais que estão sendo produzidos no formato de filmes curta-metragem.

tribeca_film_festival_debora_tessler

E para encerrar, uma conversa da atriz Susan Sarandon com o diretor Michael Moore sobre documentários e a situação política do país. Este painel, apesar do bom humor dos dois participantes, teve um foco bastante político, uma vez que os dois são formadores de opinião na área e sempre participam de eventos e discussões políticas. Eles discorreram sobre a distribuição de documentários independentes, e em como estes se transformam ao longo da produção. Mas o principal foco da conversa foi mesmo a importância se passar uma mensagem em um documentário – para que haja a mistura de entretenimento com seriedade.

* Miriam Spritzer: é coach de profissão, tem formação em administração e marketing e também transita pelo mundo do teatro musical. Mora em NY e está sempre atenta para os mais variados shows, exposições, eventos e moda. Ela também é correspondente internacional no programa  Tudomais na TVCOM.

Peças conceituais, design consciente: as joias de Patrícia Beleza.

patricia_beleza_debora_tessler_5

O ateliê da Patrícia Beleza, em Porto Alegre.

A designer de produtos Patrícia Beleza criou há cerca de 1 ano a marca de acessórios que leva seu nome – o qual parece ter lhe indicado rumos. Ao fazer peças em aço inox, ela contrabalança o peso do material com a suavidade do jeito calmo e sereno com que nos recebeu no ateliê, localizado em uma antiga casa reformada em pleno agito da Ramiro Barcelos.

patricia_beleza_debora_tessler

A designer paranaense Patrícia Beleza.

Nascida em Toledo, no Paraná, Patrícia veio para Porto Alegre cursar a faculdade de Design de Produto, em 2000. Criança que passava horas a pintar quadros e divertir-se com desenhos, na adolescência chegou a cogitar a arquitetura como melhor opção de carreira. Mas foi no design que ela encontrou espaço para exercitar a curiosidade e o encantamento pelos processos e materiais, um fascínio de longa data: “ainda hoje adoro assistir o programa ‘DNA dos Materiais’ na TV”, diverte-se. Já no Rio Grande do Sul, a designer passou a trabalhar em uma empresa que lidava basicamente com aço inox cortado a laser. O objetivo então era desenvolver cabines para laboratório, tarefa com “excesso de engenharia”, segundo ela. O material e a técnica, porém, indicaram-lhe um novo caminho a ser seguido: abrir uma empresa de design que partisse do aço inox como matéria prima fundamental.

patricia_beleza_debora_tessler_6

Apetrechos e ferramentas da Patrícia.

Criada a marca, Patrícia buscou no cotidiano a inspiração para criar a primeira coleção: cupcakes, óculos e televisões foram algumas das formas que viraram pingentes nas mãos da designer.  ”Na primeira coleção busquei um resultado bem divertido. Aos poucos optei por produtos menos adolescentes, por isso minha coleção seguinte foi baseada em circuitos eletrônicos. Para a próxima, estou bolando peças a partir de triângulos”. Os materiais são parte muito importante do processo criativo da designer, que destaca a resistência do inox – ela explica a propriedade de regeneração que o material possui. Outras possibilidades, no entanto, estão sempre sendo cogitadas, e há lugar até mesmo para o reaproveitamento de sobras de sandálias Melissa.

patricia_beleza_debora_tessler_4

Algumas ideias no papel e belos pingentes prontos.

Entre os projetos para o futuro, Patrícia conta que o principal é criar outros tipos de produtos, para além dos acessórios. São muitas as ideias, e ela revela que tem andado interessada em projetos que envolvam uma concepção de faça-você-mesmo, com forte apelo cognitivo. A designer não pretende, porém, criar por criar. Qualidade está léguas à frente da quantidade em sua lista de prioridades, e ela justifica: “até o momento, tenho feito coleções com intervalos de aproximadamente 6 meses. Às vezes acabo criando peças fora desse planejamento, mas respeito muito o tempo. Acho que há produtos demais neste mundo, então não quero enchê-lo com peças que não considero relevantes. Acho fundamental sermos mais seletivos na hora de gerar peças, até para evitar a produção de mais lixo”, pondera com bastante consciência.

patricia_beleza_debora_tessler_7

Visita felina no ateliê.

Quem quiser conhecer e comprar as peças de Patrícia pode dar uma olhadinha no site e na fan page da marca, ou visitar as lojas Pandorga, Pick Up e Maria Xica em Porto Alegre.