Ao comprar uma peça de roupa, leva-se na sacola também um longo processo de trabalho. Isto porque, diferente do que muitos consumidores imaginam, o setor de criação de uma marca é apenas parte de uma logística bastante complexa – que pode, inclusive, contar com importação e trabalho além-mar. Empreender na área da moda é um quebra-cabeças que envolve criatividade e organização na mesma medida. Nada que jovens como Juliana Macedo, que criou e administra sozinha a marca Rouge Concept, devam temer.
A geração do próprio negócio foi uma resposta à pergunta de Juliana: como reunir conhecimentos acumulados ao longo da vida? No caso dela, a graduação em Relações Públicas, o domínio de modelagem e corte e costura, e ainda cursos diversos – como pesquisa de comportamento do consumidor. Ao alinhavar todas essas habilidades, concluiu que produzir roupas femininas era uma boa alternativa: “Estive um pouco avessa a marcas de moda em função de uma experiência ruim no setor de criação, há muito tempo. Mas retomei a paixão quando trabalhei no Estilo Exclusivo, onde desenhei algumas peças.” A experiência, acredita Juliana, foi um grande estímulo.
O gosto pelo comércio também pesou: “sempre tive uma visão de mercado e na hora de criar a Rouge levei em conta questões administrativas”. Por isso lhe atraiu a possibilidade de investir em um uma empresa na qual pudesse trabalhar com roupas sem a necessidade de “ser uma estilista da semana de moda de Nova York”, brinca. Financeiramente, avaliou que produzir na China seria uma forma de iniciar o negócio, unindo um bom produto a tecidos diferentes dos brasileiros e preços mais acessíveis. “Desenho, mando os croquis para a China, recebo as peças piloto, corrijo-as e mando o material de volta para finalização. É um processo bastante diferente de ter uma piloteira ao meu lado, pois cada etapa precisa ser muito detalhada – o local exato para aplicar o botão, as costuras. É uma forma de trabalho diferente e no início foi um desafio me habituar às mudanças.”
A primeira coleção da Rouge foi lançada em 2012. De lá para cá, Juliana se adaptou aos processos de trabalho chineses e já investiu na segunda coleção – que, como é característica da marca, tem camisas como carro-chefe: “São as queridinhas da Rouge. Mesmo quando a camisa não está em alta nas semanas de moda, é uma peça de muito uso para qualquer mulher.” Com olhar apurado para o street style, Juliana mostra que é possível unir paixões em um mesmo negócio: cria com doçura e administra com firmeza, e assim mantém o sonho em terra firme. Para a coleção de outono-inverno 2013, a designer investiu no tema do romantismo, misturando alfaiataria a cores vibrantes. E arremata com palavras o desejo que vale para a vida e para o próprio ato de empreender: “Queremos, mais que nada, um amor colorido que dure o ano todo.”
Para conhecer mais (e fazer comprinhas online), vale espiar o site e a fanpage da marca.






















