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Moda, empreendedorismo e muitas cores na Rouge Concept

A coleção outono-inverno da Rouge Concept | Foto: Divulgação

A coleção outono-inverno da Rouge Concept | Foto: Waldomiro Aita

Ao comprar uma peça de roupa, leva-se na sacola também um longo processo de trabalho. Isto porque, diferente do que muitos consumidores imaginam, o setor de criação de uma marca é apenas parte de uma logística bastante complexa – que pode, inclusive, contar com importação e trabalho além-mar. Empreender na área da moda é um quebra-cabeças que envolve criatividade e organização na mesma medida. Nada que jovens como Juliana Macedo, que criou e administra sozinha a marca Rouge Concept, devam temer.

A geração do próprio negócio foi uma resposta à pergunta de Juliana: como reunir conhecimentos acumulados ao longo da vida? No caso dela, a graduação em Relações Públicas, o domínio de modelagem e corte e costura, e ainda cursos diversos – como pesquisa de comportamento do consumidor. Ao alinhavar todas essas habilidades, concluiu que produzir roupas femininas era uma boa alternativa: “Estive um pouco avessa a marcas de moda em função de uma experiência ruim no setor de criação, há muito tempo. Mas retomei a paixão quando trabalhei no Estilo Exclusivo, onde desenhei algumas peças.” A experiência, acredita Juliana, foi um grande estímulo.

As peças da coleção outono-inverno 2013 da Rouge Concept | Foto: Divulgação

Peças da coleção outono-inverno 2013 da Rouge Concept | Foto: Waldomiro Aita

O gosto pelo comércio também pesou: “sempre tive uma visão de mercado e na hora de criar a Rouge levei em conta questões administrativas”. Por isso lhe atraiu a possibilidade de investir em um uma empresa na qual pudesse trabalhar com roupas sem a necessidade de “ser uma estilista da semana de moda de Nova York”, brinca. Financeiramente, avaliou que produzir na China seria uma forma de iniciar o negócio, unindo um bom produto a tecidos diferentes dos brasileiros e preços mais acessíveis. “Desenho, mando os croquis para a China, recebo as peças piloto, corrijo-as e mando o material de volta para finalização. É um processo bastante diferente de ter uma piloteira ao meu lado, pois cada etapa precisa ser muito detalhada – o local exato para aplicar o botão, as costuras. É uma forma de trabalho diferente e no início foi um desafio me habituar às mudanças.”

A primeira coleção da Rouge foi lançada em 2012. De lá para cá, Juliana se adaptou aos processos de trabalho chineses e já investiu na segunda coleção – que, como é característica da marca, tem camisas como carro-chefe: “São as queridinhas da Rouge. Mesmo quando a camisa não está em alta nas semanas de moda, é uma peça de muito uso para qualquer mulher.” Com olhar apurado para o street style, Juliana mostra que é possível unir paixões em um mesmo negócio: cria com doçura e administra com firmeza, e assim mantém o sonho em terra firme. Para a coleção de outono-inverno 2013, a designer investiu no tema do romantismo, misturando alfaiataria a cores vibrantes. E arremata com palavras o desejo que vale para a vida e para o próprio ato de empreender: “Queremos, mais que nada, um amor colorido que dure o ano todo.”

As peças da coleção outono-inverno 2013 da Rouge Concept | Foto: Divulgação

A coleção outono-inverno 2013 da Rouge Concept | Foto: Waldomiro Aita

Para conhecer mais (e fazer comprinhas online), vale espiar o site e a fanpage da marca.

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Vintage Urbano

Urban Vintagers

Urban Vintagers

Reunir roupas cheias de história que passam longe de brechós com traças: esta é a proposta da Urban Vintagers, e-commerce que apresenta um formato sustentável de consumo. A partir de uma curadoria de estilo, a marca vende roupas e acessórios usados que foram garimpados ao redor do mundo (a última viagem, documentada no blog, foi para o Japão).

As peças ainda recebem restauro e customização segundo as últimas tendências da moda. E aí está a maior graça do projeto idealizado por Barbara Mattivy: trata-se de roupas únicas, que pertenceram a diversas décadas. As vendas são feitas pela internet e chegam impecáveis em casa (nós já testamos e aprovamos!)

Algumas das (muitas!) peças lindas à venda na Urban Vintagers

Algumas das (muitas!) peças lindas à venda na Urban Vintagers

Para encontrar a Urban Vintagers:

Blog: www.urbanvintagers.com
Facebook: www.facebook.com/urbanvintagers
Tumblr: www.urbanvintagers.tumblr.com
Pinterest: www.pinterest.com/urbanvintagers
Instagram: @urbanvintagers

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Manoela D`Almeida na Web

Foto de Manoela D`Almeida para Bandits Films

Foto de Manoela D`Almeida para Bandits Films

A fotógrafa e jornalista Manoela D`Almeida é conhecida pela forte atuação na cena do surf feminino brasileiro (falamos sobre ela aqui e aqui). E agora seus cliques, que fazem sucesso mundo afora, estão abrigados em um novo espaço online.

Foto de Manoela D`Almeida para Harcore

Foto de Manoela D`Almeida para Harcore

O site manoeladalmeida.com.br  mostra o trabalho moldado por experiências com publicidade, moda, surf e também filmes, que Manu realizou junto com a Bandits Graphiks e Films. Com design de Cássia Desbesel, a webpage traz o link para coluna da fotógrafa na revista Hardcore, além de trabalhos para Jorge Bischoff, Gang, Safira, TPM e Roxy.

Foto de Manoela D`Almeida para Goofy

Foto de Manoela D`Almeida para Goofy

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Urban Arts: arte na internet e na parede

A galeria Urban Arts é desde 2009 uma referência no universo da arte, divulgando e comercializando trabalhos de artistas, designers e ilustradores. O projeto, que começou totalmente online, migrou em 2011 para uma loja física na Oscar Freire, em São Paulo.

Agora a expansão continua, e no dia 15 de março inaugura a primeira filial na capital gaúcha. O primeiro artista convidado para ocupar o espaço expositivo da Urban Arts Porto Alegre é Ricardo Trombini Pires, o Pirecco. Ele vai apresentar uma série de desenhos inéditos e bem diferentes do trabalho com que o público está acostumado – inclui experiências com colagens, reaproveitamento de materiais e pinturas.

Ah, além de quadros e pôsteres, a Urban Arts também comercializa adesivos de parede, capas para notebooks e celulares, sketchbooks, almofadas e jogos americanos. Aqui em Porto Alegre, a galeria se instalou na Quintino Bocaiúva, 715.

urbanarts.com.br

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Pedalar para Transformar

bici

Renata Signoretti | Foto: Luiza Soh

Bicicletai, meninada! – pedia Vinicius de Moraes em um flerte em forma de poesia para as ciclistas cariocas.  Além de encantar os olhos de poetas como ele, pedalar não se resume ao charme: é o meio como muitas pessoas se locomovem não só no Rio de Janeiro, como aqui em Porto Alegre.

Para unir ideias dos amantes das duas rodas, o Fórum Mundial da Bicicleta já está na sua segunda edição. O evento  acontece até domingo (24), na Casa de Cultura Mário Quintana, e conta com participações de outros países onde também se pensa em uma vida com mais amor e menos motor. Para compartilhar experiências, a Capital gaúcha abriga as ativistas americanas  Caroline Samponaro, da organização nova-iorquina Transportation Alternatives, e  Mona Caron, artista plástica e participante da Massa Crítica de São Francisco. Além da dupla, outra presença internacional é a chilena Amarilis Horta Tricallotis, diretora do Centro de Bicicultura - entidade que estimulou a entrada de um milhão de novos ciclistas no trânsito de Santiago. A equipe fará parte de conversas para debater a necessidade de cidades pensadas para pessoas, e também o papel que a bicicleta e outros modais sustentáveis têm como motivadores de transformações urbanas e sociais.

Fórum Mundial da Bicicleta

Fórum Mundial da Bicicleta, em Porto Alegre

Diferentes do ano passado, o FMB deste ano teve os recursos financeiros captados via crowdfunding e contou com a ajuda de pessoas do mundo todo para a realização da programação e da presença dos painelistas. Durante os quatro dias de evento, os participantes compartilham experiências sobre mobilidade urbana, turismo, economia e meio ambiente. Além disso, quem passar por lá pode integrar oficinas de Bike Pólo e Mecânica de Bicicletas, dentre outras. Tudo isso sem nenhum custo.

Este ano, o tema “Pedalar para Transformar” propõe uma mudança em meio ao caos urbano. Não existe cidade perfeita para a implantação das bikes como transporte. Tudo é uma questão de mobilidade sustentável, planejamento e consciência do coletivo em evitar usar o carro em certos momentos, alternando com o uso da magrela. E a bicicleta está aí para provar que andamos realmente “sobre máquinas da paz”, como diria Vinícius de Moraes, se estivesse vivo.

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Lispector jornalista: “esta entrevista está se tornando um pouco psicodélica”.

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A escritora-jornalista Clarice Lispector

Tereza Quadros, Helen Palmer e Ilke Soares foram alguns dos pseudônimos utilizados por Clarice Lispector para assinar páginas de revistas femininas. As obrigações impostas pela vida de cronista – incluindo alguns assuntos como “o dever da faceirice e a conquista do bem amado”, além de demandas bem próximas dos “publiposts” de hoje –, levavam a autora buscar uma fuga da rotina. A solução? Um tanto de ficção para reparar o cotidiano.

É o que fica claro no livro “Clarice na Cabeceira: jornalismo”, organizado e apresentado por Aparecida Maria Nunes. Nesta edição, em que é compilado o material não ficcional da escritora para publicações como Jornal do Brasil e Correio da Manhã, transborda um modo de se tratar o trabalho: no fazer diário, vale revelar o próprio estilo, ainda que indiretamente. O resultado é sempre benéfico e, no caso de Lispector, virou embrião de muita literatura.

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Um trivial passo a passo para matar baratas dá o tom do que a escritora realizava neste ofício de escrever para mulheres. O texto vem em forma de receita para a prestimosa dona de casa. Tereza Quadros, ou Aquela-que-tudo-sabe, ensina a leitora a misturar em partes iguais açúcar, farinha e gesso, e a distribuir a iguaria nos lugares frequentados por esses insetos. Como sabemos hoje, trata-se do texto embrionário do conto “A Quinta História”. E a barata encontra-se no quarto da empregada, mote de A Paixão Segundo G.H (1964). [Aparecida Maria Nunes sobre Clarice]

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Tom Jobim, um dos entrevistados de Clarice Lispector

O lado jornalista de Clarice era também abusado. Ocupava o espaço dos entrevistados, fazia auto-análises e não seguia outra ordem que não a de uma natural conversa. Ainda mantinha como hábito sempre fazer três perguntas: “Qual é a coisa mais importante do mundo? Qual é a coisa mais importante para a pessoa como indivíduo? E o que é o amor?” (a última questão, nem ela mesma e nem Chico Buarque conseguiram responder).

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C: Estou simplesmente misturando tudo, mas não é culpa minha, Tom, nem sua: é que esta entrevista está se tornando um pouco psicodélica. [Clarice entrevista Tom Jobim]

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C: Nelson, você se referiu à solidão. Você se sente um homem só?
N: Do ponto de vista amoroso eu encontrei Lúcia. E é preciso especificar: a grande, a perfeita solidão exige uma companhia ideal. [Clarice entrevista Nelson Rodrigues]

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E assim, entre pautas aborrecidas e pedidos para elogiar creme Pond`s em suas colunas (para saber mais, ler Trapo), Clarice Lispector deixava a imaginação tecer um suave manto de fantasia. Quando ela finalmente destapou o rosto, sobrava a escritora. E as palavras. E as epifanias.

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Tric Tric: para levar a vida a sorrir.

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As camisas da Tric Tric, da estilista Simone Beckel | Foto: Divulgação

Você não gosta de mim, mas sua filha gosta. A frase, que prendeu Chico Buarque a uma polêmica de décadas – ele nega até hoje que a canção “Jorge Maravilha”, de Julinho de Adelaide, fosse dirigida à filha de Geisel –, dá o tom sobre um tipo masculino que, em meados dos anos 70 , era pra lá de comum: misto de cafajeste com brega, muitas vezes andava trajado com camisas coloridas ou estampadas, sempre arrematadas com forte personalidade (sim, botão aberto e um certo desleixo podiam complementar o look).

Pois os mais atentos já devem ter percebido que  o estilo daqueles rapazes que pareciam viver entre a música, o amor e a política reapareceu com força pelas ruas de 2013. A estilista Simone Beckel percebeu isso e criou a Tric Tric, marca pensada especialmente para eles: “Meu namorado sempre mandou fazer as próprias camisas. Eram peças que beiravam o cafona, florais e estampadas. Todo mundo achava o máximo, e foi assim que resolvi confeccionar os primeiros modelos.”

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A essência da Tric Tric

O leque de inspirações, como se vê pelo quadro composto por alguns ídolos da Tric Tric, é imenso: “Começamos a pesquisar camisas estampadas na música, no cinema, nos seriados de TV. Apareceram diversos personagens que usavam camisas e que tinham em comum o fato de sempre terem personalidades marcantes e de assumirem o brega.” A marca começou devagarinho, como um samba preguiçoso de Chico Buarque, mas logo arrematou clientes que agora chegam pela internet e diretamente na loja Makumba (na rua João Telles, n. 531, no bairro Bom Fim em Porto Alegre).

Tudo é descomplicado: apenas uma modelagem, que vai variando em diversas estampas. A produção é feita à mão, o que confere às camisas um gostinho de passado e combina com a marca que tem os pés em outros tempos. De certa forma, trocar as camisas lisas e sérias por um pouco de humor e alegria é abrir uma brecha para o carnaval em qualquer época. Eles desatinaram – no melhor dos sentidos.

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Detalhes das peças da Tric Tric | Foto: Divulgação

Para encontrar Tric Tric: Facebook e Makumba (João Telles, 531, POA).

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