Ao longo desta semana, o Espaço Guadalupe recebeu o tatuador e artista Daniel Tucci. Com mais de 18 anos de experiência, o carioca está frente do King Seven Tattoo, no Rio de Janeiro, e se orgulha de equilibrar tradição e modernidade no ato de tatuar. A conversa com a nossa equipe aconteceu no habitat preferido de Tucci: entre tintas e sprays, no meio de uma obra em andamento.
Autor de outras intervenções feitas no Espaço, Tucci conta que não é fácil conciliar a dupla jornada de tatuador e artista. “A tatuagem é minha atividade principal, mas sempre que posso desenvolvo outros projetos”. Entre eles, a concepção visual do disco da cantora Núria Mallena, pelo selo Malagueta. “Núria é do agreste de Pernambuco, mas mora no Rio há um tempo. O som dela é muito bacana: mistura de pop e MPB com pitadas regionais. Acabei me envolvendo em todo o processo, fiz da capa ao cenário do show.
Em relação à tatuagem, Tucci conta que neste tempo de estúdio a clientela mudou muito. “Não é um estúdio muito comercialzão, pois trabalhamos com desenhos exclusivos para cada cliente. Não é McDonalds – e por isso toma tempo! É fato que hoje a tatuagem tem outro impacto, ainda que no Rio de Janeiro sempre tenha sido diferente: além de ser uma cidade de praia, é um lugar onde as pessoas gostam muito de mostrar o corpo. Agora é mais difícil achar quem não seja tatuado”. E pondera que na hora de tatuar pesa muita a capacidade de observação: eu consigo entender muito bem o que o cliente quer, a linha que devo seguir com cada pessoa. A partir daí, começa minha criação”.
Tanto para a tatuagem quanto para a arte, Tucci tem uma maneira ágil de trabalhar. “Minha referência de tempo é a tattoo, que eu faço em quatro horas. Na hora de pintar, às vezes o trabalho não se acaba e fico inquieto. Não consigo ficar muito parado, quero resolver da forma mais prática”. O trabalho para o Guadalupe começou ainda no Rio, pelo computador. “Muitas vezes eu parto do digital, que é a base para depois improvisar”. Ele considera uma vantagem não ter um modelo rígido de inspiração. “Tenho muitas referências distintas e ao mesmo tempo não tenho um ídolo, não sou fã de nada”. Ciente da necessidade de adaptar o que cria aos espaços – e corpos – onde cada obra vai habitar, ele diz: “No meu trabalho, tento não pirar muito. O que eu faço em meu trabalho tem que ter relação com o ambiente e o propósito – não vou pintar um palhaço assassino aqui no Guadalupe”, diverte-se.
Quer conhecer a obra de pertinho? Passa no Espaço Guadalupe, que fica na Fernandes Vieira, 502, Bom Fim – POA.



