Débora Dvoskin precisou mudar de estado e começar uma carreira em psicologia para dar-se conta de que seguiria os mesmos passos da mãe, Sônia Sirotsky. O talento para a joalheria, por muito tempo guardado em uma caixinha, reapareceu quando ela se viu infeliz com a profissão escolhida. Assim, ao desembarcar no Rio de Janeiro em busca de especialização na área de psicologia de família, acabou encontrando dois amores que determinaram uma mudança drástica de rumos: de um lado o marido, que a ajudou a enraizar-se em terras cariocas; de outro, as joias que lhe devolveram o amor pela dia a dia e pelo trabalho. “Uma rotina mais flexível era algo que eu procurava. Gostava da faculdade de psicologia, mas a prática nunca me agradou. É muito diferente do que faço hoje. Eu trabalho muito em casa e encontrei uma medida mais light, o que é ótimo em função da minha filha. A criação tem esta vantagem: não é preciso cumprir horários”.
Questionada sobre uma possível herança no que se trata do gosto pelas joias, Débora reconhece e diz com graça: “foi exatamente assim, ideia da minha mãe. Eu não tinha me encontrado muito profissionalmente. Aí ela perguntou por que eu não começava a fazer algo com joias – afinal, ela já conhecia todas as pessoas do meio, tinha clientes, ourives de confiança e o principal: era completamemte aficcionada por joalheria”. Há cerca de três anos, Débora topou o desafio e fez as primeiras peças, com ares de experimentação. “Era então uma atividade temporária, nunca pensei que eu fosse me apaixonar assim”. Pensativa, afirma: “Eu visitava muito a minha mãe, adorava ver as joias, mas não era uma coisa que eu acompanhasse com afinco. Havia um encantamento, mas nunca muita proximidade. Por isso não imaginava que fosse acabar trabalhando com joias. Agora estou na luta para trazê-la para trabalhar comigo. Minha mãe está sempre palpitando e me ajudando. Sempre com aquele olhar materno, fruto de uma ótima relação que sempre tivemos”.
O caminho para assumir a nova profissão, no entanto, não foi simples transmissão de conhecimentos familiares. Débora estudou muito, fazendo aulas todos os dias por muito tempo. “Encontrei uma pessoa que me ensinou muito sobre joias, a designer Andrea Nicácio. É alguém que sabe muito bem o que faz e até hoje me inspira”. E se o primeiro contato com a joalheria aconteceu pela prata, Débora logo se rendeu ao ouro, melhor para trabalhar e mais durável. A matéria-prima fundamental para a jovem joalheira, porém, é a pedraria. Vindas especialmente de Minas Gerais, as pedras são a inspiração essencial do trabalho, que acontece de forma bastante intuitiva: “Minhas criações começam pelos materiais“.
A prática deu-lhe maturidade também no encaminhamento das coleções: “Eu comecei querendo fazer peças que tivessem a minha cara, com pedras coloridas e estilo mais casual. Hoje já entendi que não posso apenas criar para mim, porque preciso agradar vários públicos (Débora desenvolve, inclusive, linhas infantis). Acho que o mais importante é que a pessoa se sinta bonita”. Ao ver as joias da grife homônima ganhando espaços novos e frequentando ambientes antes impensados, ela comemora: “Hoje eu vejo que todo mundo pode ter uma joia, e isso gera um encantamento muito grande. Não é mais só quem tem muito dinheiro. Há peças para todos os tipos de situações, e são acessórios que fazem muita diferença”. Misto de dois estilos – o gaúcho, mais arrumadinho, e o carioca, mais informal -, Débora gosta de perceber que as pessoas procuram joias para serem usadas o dia todo, e não modelos muito poderosos que ficam guardados por eras. Algo que para ela sintetiza a noção de chique despojado que tanto lhe agrada: “calça jeans, camisa e uma joia. Informal, mas sempre com um enfeite“.
[as peças estão à venda no site da Débora Dvoskin]
















