Débora Dvoskin: “chique é ser informal, mas sempre com um enfeite”.

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Crédito: Ricardo Lage

Débora Dvoskin precisou mudar de estado e começar uma carreira em psicologia para dar-se conta de que seguiria os mesmos passos da mãe, Sônia Sirotsky. O talento para a joalheria, por muito tempo guardado em uma caixinha, reapareceu quando ela se viu infeliz com a profissão escolhida. Assim, ao desembarcar no Rio de Janeiro em busca de especialização na área de psicologia de família, acabou encontrando dois amores que determinaram uma mudança drástica de rumos: de um lado o marido, que a ajudou a enraizar-se em terras cariocas; de outro, as joias que lhe devolveram o amor pela dia a dia e pelo trabalho. “Uma rotina mais flexível era algo que eu procurava. Gostava da faculdade de psicologia, mas a prática nunca me agradou. É muito diferente do que faço hoje. Eu trabalho muito em casa e encontrei uma medida mais light, o que é ótimo em função da minha filha. A criação tem esta vantagem: não é preciso cumprir horários”.

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Crédito: Ricardo Lage

Questionada sobre uma possível herança no que se trata do gosto pelas joias, Débora reconhece e diz com graça: “foi exatamente assim, ideia da minha mãe. Eu não tinha me encontrado muito profissionalmente. Aí ela perguntou por que eu não começava a fazer algo com joias – afinal, ela já conhecia todas as pessoas do meio, tinha clientes, ourives de confiança e o principal: era completamemte aficcionada por joalheria”. Há cerca de três anos, Débora topou o desafio e fez as primeiras peças, com ares de experimentação. “Era então uma atividade temporária, nunca pensei que eu fosse me apaixonar assim”. Pensativa, afirma: “Eu visitava muito a minha mãe, adorava ver as joias, mas não era uma coisa que eu acompanhasse com afinco. Havia um encantamento, mas nunca muita proximidade. Por isso não imaginava que fosse acabar trabalhando com joias. Agora estou na luta para trazê-la para trabalhar comigo. Minha mãe está sempre palpitando e me ajudando. Sempre com aquele olhar materno, fruto de uma ótima relação que sempre tivemos”.

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Crédito: Ricardo Lage

O caminho para assumir a nova profissão, no entanto, não foi simples transmissão de conhecimentos familiares. Débora estudou muito, fazendo aulas todos os dias por muito tempo. “Encontrei uma pessoa que me ensinou muito sobre joias, a designer Andrea Nicácio. É alguém que sabe muito bem o que faz e até hoje me inspira”. E se o primeiro contato com a joalheria aconteceu pela prata, Débora logo se rendeu ao ouro, melhor para trabalhar e mais durável. A matéria-prima fundamental para a jovem joalheira, porém, é a pedraria. Vindas especialmente de Minas Gerais, as pedras são a inspiração essencial do trabalho, que acontece de forma bastante intuitiva: “Minhas criações começam pelos materiais“.

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Crédito: Ricardo Lage

A prática deu-lhe maturidade também no encaminhamento das coleções: “Eu comecei querendo fazer peças que tivessem a minha cara, com pedras coloridas e estilo mais casual. Hoje já entendi que não posso apenas criar para mim, porque preciso agradar vários públicos (Débora desenvolve, inclusive, linhas infantis). Acho que o mais importante é que a pessoa se sinta bonita”. Ao ver as joias da grife homônima ganhando espaços novos e frequentando ambientes antes impensados, ela comemora: “Hoje eu vejo que todo mundo pode ter uma joia, e isso gera um encantamento muito grande. Não é mais só quem tem muito dinheiro. Há peças para todos os tipos de situações, e são acessórios que fazem muita diferença”. Misto de dois estilos – o gaúcho, mais arrumadinho, e o carioca, mais informal -, Débora gosta de perceber que as pessoas procuram joias para serem usadas o dia todo, e não modelos muito poderosos que ficam guardados por eras. Algo que para ela sintetiza a noção de chique despojado que tanto lhe agrada: “calça jeans, camisa e uma joia. Informal, mas sempre com um enfeite“.

[as peças estão à venda no site da Débora Dvoskin]

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50 anos de Rolling Stones!

The Rolling Stones faz parte da tríplice coroa do rock: The Beatles, The Rolling Stones e The Who. Essas são as 3 maiores bandas de rock da história na minha opinião. Eles conseguiram traduzir em uma frase tudo aquilo que a juventude sente e pensa, em qualquer época, independente de cor, país, religião, movimento. Independente de qualquer coisa, TODOS os jovens SEMPRE vão pensar e sentir: I can’t get no satisfaction. Os jovens querem mais, querem ir além. E os Stones traduziram isso perfeitamente.

Não saberia dizer qual é a minha música predileta deles. Tem várias que curto MUITO. Mas acredito que o disco predileto seja o Exile On Main St., de 1972. Eles estavam exilados na França por terem tido problemas com os impostos. Não podiam voltar pra Inglaterra. O momento era ruim pra eles. Esse disco tem rock, blues, música negra. É demais, é sangue no olho. Se fosse escolher alguma música desse disco, talvez fosse “Rocks Off”,”Rip This Joint” ou “Tumblin Dice”. Enfim. Rolling Stones é rock! É o bicho!

* Daniel Tessler é músico, compositor, produtor e DJ. Gosta das coisas transbordando: do copo de cerveja a um choro sem explicação, o importante é que transborde. Musicalmente, adora coisas crocantes como soul, disco, rock e jazz, mas acha que o que vale mesmo é o primeiro take. É o responsável pela trilha do dia.

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Bartola: onde o apressado paga mais caro.

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Crédito: divulgação

Restô-bar-café é o que não falta por Buenos Aires. Mas como meu objetivo é compartilhar o que há de mais bacana, aí vai um que eu gosto muito e recomendo. O Bartola é um lugar muito fofo com decoração bacanérrima que mistura arte e brechó. Os diversos itens, que individualmente não têm nada a ver um com o outro, juntos dão todo o charme ao lugar. Eu sempre me distraio observando cada objeto exposto nas paredes, nas mesas e nos balcões.

O clima é de aconchego, ótimo para ir com um grupo de amigos e dividir longas mesas ou ainda espaços no sofá. Indico o café da manhã, oferecido em várias opções – que incluem cereais, iogurte, torradas, frutas, café ou algo mais elaborado como tortillas. Uma delícia!

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Crédito: divulgação

No cardápio tem sanduíches e pizzas deliciosas, saladas, bolos, sucos (sou especialista em limonadas e a deles é divina!). Mas quem resolver almoçar por lá, atenção: quanto mais tarde você comer, mais barato vai pagar. Funciona assim, de segunda a quinta, o prato do dia custa 50 pesos até às 13h, 45 pesos a partir das 14h, 40 pesos a partir das 15h e 35 pesos se você resolver almoçar a partir das 16h. O negócio é chegar sem pressa e se deleitar com tanta gostosura. Agora em dois endereços: um na Nicarágua 5995 e outro, mais novo e movimentado, na Gurruchaga 1795, perto da Plaza Armênia.

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Crédito: divulgação

* Isa Silveira é jornalista e viaja para Buenos Aires como quem vai ali na esquina. Apaixonada pelo clima porteño, está sempre antenada no que a cidade oferece de mais divertido, descolado e bacana. No site Me Encanta Buenos Aires ela compartilha dicas e impressões sobre a capital argentina, e agora vai contar um pouco de suas descobertas aqui no blog.

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Fah Maioli: Art&Fashion na Itália e possíveis caminhos para cool hunters.

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A socióloga Julia Presotto e a trend researcher Fah Maioli estão à frente do projeto Art&Fashion. Profissionais com ampla bagagem internacional e experiência na captação de tendências, Julia e Fah vão realizar cursos de Cool Hunting e Italian Fashion System e oferecer uma série de inputs criativos para profissionais em busca de uma linguagem original e inovadora. As turmas reduzidas, de no máximo 6 alunos, iniciam nos meses de setembro, outubro e novembro – e não à toa acontecem na Itália, berço da moda mundial. Fah Maioli conversou com nossa equipe diretamente da Itália e falou mais sobre os cursos e a carreira de cool hunter.

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Como surgiu a ideia do projeto Art&Fashion? Por que ele acontecerá na Itália?

O projeto é na verdade uma sequência, um “filhote” da Rota Fashion e da Rota do Design que já realizo aqui em Milão para profissionais do mundo todo. Do sucesso das Rotas e do delicioso encontro com a Julia Presotto surgiu a idéia de realizarmos algo juntas para o público brasileiro, que oferecesse um aprofundamento maior do mundo na moda em seu berço principal. Nos projetos anteriores, o foco era a realização de um cool hunting livre, oferecido a operadores do setor da moda e do design. Para este projeto, achamos por bem adicionar uma boa base acadêmica – com cursos teóricos de Cool Hunting Methods and Practices e Italian Fashion System – às visitas profissionais aos locais do mundo da moda (maisons, museus e negócio, por exemplo). Ou seja, no Art&Fashion as vivências do dia-dia são consequência natural das aulas teóricas.

A nossa escolha pela Itália, precisamente Milão, Firenze e Veneza, decorre de várias razões: pelas origens italianas de maisons como Gucci, Salvatore Ferragamo, Prada e Armani – que iremos abordar tecnicamente e depois conhecer ao vivo -, por ter sido na Itália que surgiram as primeiras parcerias contemporâneas entre artistas e estilistas, e por este país ser considerado berço da Arte pulsante: todos os movimentos artísticos têm aqui imponentes representações concretas. O charme e a disponibilidade de locais para as nossas atividades práticas (ateliês de estilistas, bureaus de estilo e modelagem e algumas confecções renomadas) também contaram bastante.

Acho importante falar também da minha parceria com a Julia: o clichê “nada acontece por acaso” toma a forma de mantra neste que é nosso primeiro trabalho juntas. A Julia é uma profissional extremamente “in gamba”, como dizem os italianos! Ela é perfeita e completa para este projeto, que agora faz parte de seu portfólio na Observatório, com exclusividade no Brasil. Penso que a delicadeza, o conhecimento, a simpatia, o ‘savoir-vivre’ de Julia são muito importantes para nossa parceria e para o sucesso desta relação. Eu sou a parte mais técnica, que transforma o conhecimento de ambas em cursos teóricos e os compartilha com os convidados aqui na Itália.

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De que forma um projeto como o Art&Fashion pode impactar a carreira de um profissional?

Nosso projeto irá auxiliar de forma muito pontual o profissional da moda: apresentando exemplos locais de quem já trilhou este caminho, bem como identificando metodologias que buscam a apropriação da arte de forma inteligente para criar produtos únicos e relevantes. Os bons estilistas não copiam os elementos artísticos: eles os estudam para encontrar novas ideias, para experimentar novas linguagens do corpo e para descobrir novas formas de comunicação com o mundo.

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Como tu vês a relação entre arte e moda? E como esse cruzamento entre as duas áreas ajuda o profissional da moda?

arte interessa à moda sobretudo porque vende ideias. Ao artista, a moda interessa porque é vista como chave para entrar no mundo da grande produção: podemos dizer que o artista busca na moda a massificação. Quando a moda interessa-se pela arte, ela começa a “experimentar com inteligência”, tanto nas formas como nos materiais. Essa contaminação está em toda a parte. Pensemos em Drácula de Coppola, personificado na bela face de Gary Oldman: seus vestidos eram assinados por Eiko Ishioka – não por acaso premiado com o Oscar em 1992. Ou na primeira e polêmica edição da Biennale di Firenze em 1996, dedicada a «Arte e Moda», onde começou todo este discurso atual. Foi esta manifestação artística que fortaleceu a discussão da relação entre inspiração artística e fashion design. Outros exemplos históricos são os modelos para a sartoria Emile Floghe de Vienna desenhados por Gustav Klimt, os vestidos para os figurinos do teatro de Depero, o protótipo para uma tuta unissex assinado por Thayath, Salvador Dalì para Elsa Schiaparelli, os vestidos cubistas de Robert Delaunay, os vestidos de Picasso para Ballets Russes e, mais recentemente, a saia de Martin Margiela queimada por Vanessa Beecroft para a sua African Renaissance.

Além destes, que apresentaremos em nosso projeto com detalhes, também veremos Issaye Miyake – estilista que é um símbolo da relação entre arte e moda – começando com suas jaquetas de papel (uma idéia ainda em uso, já que Gucci e Louis Vuitton vestiram suas vitrines principais em Milão com produtos nesta linha de inspiração). Rei Kawakubo e Yoshi Yamamoto seguem na mesma linha, assim como Alexander Mc Queen, John Galliano e Karl Lagerfeld. Miuccia Prada é expoente da união entre arte e moda: em 1999 convidou Mariko Mori para o seu Dream Temple na Fondazione Prada di Milano. E, para não alongarmos mais a nossa lista, encerro com Giorgio Armani, que creio ser o “dandy de massa” – um Dan Flavin buscando expressar-se com todas as possibilidades de luz através de tecidos, formas e elementos.

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Muito se fala em cool hunting atualmente, a ponto de haver uma banalização do termo. Concordas com essa afirmação? 

Concordo. Mas tudo são ciclos, não é mesmo? E o mercado regula-se organicamente, expelindo do sistema no tempo certo os falsos “profetas”. Nos anos 90 tivemos o boom do design, agora é a vez das trends! Qualquer profissional com um diploma de curso curta duração considera-se um cool hunter. O que não é errado, desde que fique bem delimitado que cool hunters são aquelas pessoas criativas que retiram informações da cidade onde vivem e trabalham por intermédio de imagens. Mas estas informações somente podem apresentar verdadeiro conteúdo quando são reportadas a um trend researcher (alguns bureaus de pesquisa na Europa o chamam de cultsearcher ou ainda trend analyst), profissional que deve possuir uma grande cultura sócio-antropológica, conhecer as teorias estéticas e a cultura do país onde está inserido, possuir uma imensa curiosidade intelectual, uma mentalidade aberta e sem preconceitos, saber dois ou três idiomas e ter conhecimento dos processos de idealização e produção das coleções de moda ou de design. Geralmente este tipo de profissional tem mais idade, viajou mais, tem mais experiência de mercado, tem um largo conhecimento acadêmico, conhece a História e suas correlações e sabe inserir estas informações em “clusters”, delimitando se são importantes ou irrelevantes, se são microtrends ou macrotrends. Cool hunters e trend researchers dependem um do outro e sozinhos não vão a lugar nenhum.

O que vejo com tristeza, muitas vezes, é que muitos jovens sem nenhum talento e background apresentam-se como cool hunters e “vendem tendências” às empresas após uma semana em Milão vendo a feira de Rho, por exemplo. E muitas delas, acreditando, investem quantias consideráveis em projetos que certamente não levarão a lugar nenhum. Isso acontece muito no mundo do design e felizmente não tenho visto isso acontecer ainda na moda brasileira. Espero que não aconteça!

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Como tu vês a evolução da profissão de cool hunter

As empresas sabem que não basta oferecer ao mercado aquilo que os clientes querem consumir hoje, dada a intensa evolução dos comportamentos de consumo e a imensa possibilidade de escolhas no mar de marcas nossas de cada dia. Neste panorama, os produtos têm um ciclo de vida muito curto, sendo percebidos como já superados no espaço máximo de 2 a 3 meses – na moda é assim. As empresas precisam então desenvolver e propor novos conceitos, que podem ser vendidos imediatamente. Ou seja, a profissão de cool hunter inicia vinculada – e assim será ainda por muito tempo, infelizmente – ao sistema capitalista dito selvagem: quer compreender com antecedência quais serão as linguagens da cultura e da sociedade para anteciparem tendências e gostos alinhados com esta informação, criando produtos no menor espaço de tempo possível. Trabalhamos com até 18 meses de antecipação.

Pessoal e profissionalmente, optei por não fomentar este mundo, pois creio que o consumismo é uma das grandes “falhas” comportamentais do nosso século. Por isso decidi focar minha pesquisa como trend researcher na área de Feiras Trendsetter, Comunicação Offline e Novos Materiais para a Moda+Design.

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A trend researcher Fah Maioli

Quais os caminhos para quem procura trabalhar na área?

Estudar muito, de forma on e offline. E evoluir uma ferramenta interna fundamental, que nos foi dada gratuitamente quando nascemos: a intuição. A internet é fantástica, mas é uma commodity, no sentido de que o que importa para ser um bom “explorador do Zeitgeist” é a sensibilidade para captar o momento certo, o ângulo exato de intromissão, a intimidade com a cidade, a simpatia com as pessoas desconhecidas, o sexto sentido. O contato direto, tête-à-tête, com os mestres desta área – como Li Edelkoort e Francesco Morace, apenas para citar alguns -, é muito importante. E o tempo, ah! o tempo é fundamental…

Como dica, aprenda a ouvir dentro de si os ritmos do mundo, não o barulho interno que vem e vai conforme o estado de espírito individual. Foi somente quando aprendi isso que percebi que eu realmente poderia colocar no meu cartão de visita o título de “trend researcher”, criando inclusive minha própria metodologia.

 

[mais informações sobre o Art&Fashion na fan page do projeto no Facebook ou pelo email julia@observatoriopesquisa.com

e vale lembrar que a organização e viabilização turística, reserva de passagens e hotéis é responsabilidade da Gaia Turismo]

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Speto: “Fama é diferente de carreira”.

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Esteve ontem em Porto Alegre o grafiteiro Paulo Cesar Silva, o Speto. Da geração que formou uma identidade nacional para a arte das ruas (junto com Vitché e os irmãos Gustavo e Otavio Pandolfo, OsGemeos), Speto apresentou uma palestra de inspiração para o público interessado em juntar-se ao Movimento Hot Spot – plataforma multimeios que se propõe a identificar novos talentos brasileiros em diversas áreas da criatividade*. Em conversa especial com nossa equipe, o artista falou um pouco mais sobre o trabalho e a realidade de quem batalhou muito para chegar onde está: “faço grafite há 27 anos e só ganho dinheiro com isso há 5″.

Hoje na posição de “inspirador”, Speto conta que sempre veio do entorno sua inspiração para as ilustrações. Mais do que grandes ícones das artes, importa para ele quem está à sua volta, os detalhes e as pequenas surpresas. “Criação não deve ser nada muito hermético. Inspiração pode vir de uma música, de uma pessoa bacana que eu conheci”. Algo que sempre aconteceu de forma natural, já que ele contou com um ambiente familiar totalmente favorável: “Eu sou o caçula de uma família de artistas, então para mim arte era brincadeira. Foi pelo exemplo dos meus irmãos que eu vi o quanto é importante fazer o que se gosta”.

Speto encara o próprio trabalho de uma forma bastante realista. Longe de uma postura idealizada do fazer artístico, ele diz que está habituado a atender a marcas e outros clientes, como as bandas de rock Raimundos e ORappa. Para o grafiteiro, associar-se ao mercado não é algo que corrompa ou denigra a figura do artista: “Você deve ser honesto. É preciso se comunicar com as pessoas, não é simplesmente uma questão de aparência.Para ser um profissional, é preciso entender que o mundo não gira ao seu redor. É algo que vem com a maturidade, pois quando a gente é moleque acha que é o centro do universo. Eu já defendi tanto uma ideia que perdi clientes. Hoje acho que não adianta ser radical: uma boa medida é ter cuidado com aquilo que realmente leva a sua assinatura. Neste caso, a identidade deve ser mantida. Mas quem entende as diferentes mídias e as usa a seu favor não se corrompe. Fama é diferente de carreira“.

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Para Speto, o apego à própria obra não pode ser exagerado e as pessoas devem procurar se reinventar. “Muitas vezes o artista se prende em uma jaula, que é o estilo próprio. Alguns, depois de encontrarem uma identidade, fazem uma gaiolinha de ouro e jogam a chave fora. Por isso tento sempre trabalhar de maneiras diferentes. Meu exercício é passear por técnicas, unindo-as por nuances – no meu caso, os olhos dos personagens, que sempre mantêm meu traço. Ser curioso e querer aprender é estar vivo. Isto preserva a juventude”.

Ele relembra o início da carreira de grafiteiro: “Quando eu era moleque ia atrás mesmo. Já ouvi muitos nãos, gente que foi mal educada comigo ou que nem olhou meu trabalho. Eu pegava as revistas, descobria quem era o diretor de arte e ia atrás, me apresentar e mostrar o que eu fazia. E mesmo com as dificuldades, eu nunca desisti. Sempre fui muito obstinado”. Ao fazer uma retrospectiva do início do grafite no Brasil, afirma que o movimento foi muito baseado na ação coletiva, e que hoje ele consegue analisar melhor esta dinâmica: “No grupo em que comecei, acho que eu tinha uma postura mais naïf. Era um cara entusiasmado e que apontava caminhos. Mas os Gêmeos foram realmente visionários. Eles sacaram que o Brasil tinha potencial no grafite e que a gente podia fazer algo diferente do resto do mundo“.

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* E para quem ficou curioso para saber mais sobre o Movimento Hot Spot, vale dar uma conferida no site.

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Jogo de Damas: 6 dicas essenciais para o mercado da moda.

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O Jogo de Damas já está ficando conhecido em Porto Alegre por reunir mulheres que não temem empreender: donas de negócios próprios ou simplesmente cogitando esta hipótese, as participantes da última edição lotaram o Nós Coworking para falar sobre empreendedorismo e carreira no mundo da moda.

Paula Kruger, Nina Godinho, Gabriela Cirne Lima, Clarissa Brasil e Débora Tessler juntaram-se para um bate-papo sério e sincero sobre o mercado de moda no Rio Grande do Sul. Advindas de áreas diversas como varejo, marketing, criação, ensino e conteúdo + relacionamento, elas foram unânimes em reconhecer que o campo da moda tem espaço de sobra para crescer no Brasil – o que não significa que seja um caminho fácil.

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Separamos algumas das lições mais bacanas que foram compartilhadas no evento:

1 – É preciso fazer o que se gosta e exercer uma atividade na qual se acredita.

2 – O mercado de moda desenvolveu-se de forma acelerada nos últimos 20 anos e em função disso surgiram diversas profissões. As vagas técnicas foram lembradas como boas oportunidades, especialmente por se tratar de uma área onde a demanda é grande e faltam profissionais qualificados. A hipervalorização dos criativos e a falta de equiparação entre os setores do “fazer” e do “criar” foram citados como entraves ao interesse de profissionais pelas atividades técnicas da moda.

3 – Há muita oferta de cursos de moda, e os cursos livres e profissionalizantes são uma boa maneira de testar diversas habilidades antes de decidir por um caminho único (uma espécie de “menu degustação”). Depois de descobrir aquela área com a qual há maior afinidade, é importante dedicar-se com muito afinco e buscar acumular experiência e informações.

4 – Muitas vezes os conhecimentos mais importantes vêm de fora do mundo da moda. Fazer conexões e gerar novos insights são passos fundamentais para fugir do lugar-comum.

5 – O mercado gaúcho, apesar de muito tradicional em áreas da indústria, ainda é um pouco fechado para inovações na área da moda. Em fase de amadurecimento, estamos no momento certo para considerar dois movimentos paralelos de moda global e olhar local. É hora de tentar reduzir o “bairrismo” que faz parte da identidade cultural do Estado.

6 – Os blogs de moda, apesar da criticada banalização de seu uso, são ferramentas importantes e servem como “currículos de informações” que se destacam pelo forte apelo visual. Quem capricha no blog tem a seu dispor uma importante ferramenta de trabalho.

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A opinião unânime? Trabalhar com moda não é viver em meio ao glamour. É preciso ter foco e muita dedicação para encontrar o sucesso. Mãos à obra?
[mais informações sobre as próximas atividades do Jogo de Damas na fan page]

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Trilha do Dia: Saudade, de Tess por (e para) Selton.

A trilha de hoje é especial: Saudade, música do Daniel Tessler, ganhou versão da banda Selton – não por acaso, foi escrita para eles, como o Daniel conta no texto abaixo:

“Declarações de amor são feitas para amantes, animais, vida, momentos e, talvez principalmente, para amigos.
Essa música foi composta para os amigos. Em 2005, o nosso grupo se separou. Boa parte foi morar em Barcelona e depois se mudou para Milão, onde estão até hoje.
A saudade é um sentimento bom e ruim. Quente e frio. É um paradoxo. Quando compus essa música, foi pra mostrar o quanto amo meus amigos que naquele momento estavam longe de mim.
É difícil estar longe dos amigos. Dos melhores. Amigos da vida, desde sempre. Quase como se a gente tivesse nascido no mesmo minutos e nos olhado: “poxa, somos amigos a partir de agora até sempre”. Esse é o sentimento.
Essa música é para quem ama seus amigos.
Quem tem amigos, tem tudo”.

[E para quem quiser conferir esta e outras músicas do Dani ao vivo, quinta, dia 28 de junho, a TESS se apresenta no Ocidente Acústico. Com a parceria de Saymond Roos (Reverso Revolver) e Rodrigo Fischmann (Dingo Bells), Daniel Tessler vai fazer um tour pelas 12 faixas que compõem o novo disco - em fase de finalização. Gravado entre Porto Alegre e Gramado, o álbum tem produção e mixagem de Vini Tonello, direção artística e A&R de Raul Albornoz e masterização feita no lendário Abbey Road Studios, em Londres. Para aquecer o espírito, alguns drops musicais já estão na fanpage da banda no Facebook: http://www.facebook.com/pages/Tess-Oficial/382741668407613 ]

 

* Daniel Tessler é músico, compositor, produtor e DJ. Gosta das coisas transbordando: do copo de cerveja a um choro sem explicação, o importante é que transborde. Musicalmente, adora coisas crocantes como soul, disco, rock e jazz, mas acha que o que vale mesmo é o primeiro take. É o responsável pela trilha do dia.

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