Tric Tric: para levar a vida a sorrir.

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As camisas da Tric Tric, da estilista Simone Beckel | Foto: Divulgação

Você não gosta de mim, mas sua filha gosta. A frase, que prendeu Chico Buarque a uma polêmica de décadas – ele nega até hoje que a canção “Jorge Maravilha”, de Julinho de Adelaide, fosse dirigida à filha de Geisel –, dá o tom sobre um tipo masculino que, em meados dos anos 70 , era pra lá de comum: misto de cafajeste com brega, muitas vezes andava trajado com camisas coloridas ou estampadas, sempre arrematadas com forte personalidade (sim, botão aberto e um certo desleixo podiam complementar o look).

Pois os mais atentos já devem ter percebido que  o estilo daqueles rapazes que pareciam viver entre a música, o amor e a política reapareceu com força pelas ruas de 2013. A estilista Simone Beckel percebeu isso e criou a Tric Tric, marca pensada especialmente para eles: “Meu namorado sempre mandou fazer as próprias camisas. Eram peças que beiravam o cafona, florais e estampadas. Todo mundo achava o máximo, e foi assim que resolvi confeccionar os primeiros modelos.”

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A essência da Tric Tric

O leque de inspirações, como se vê pelo quadro composto por alguns ídolos da Tric Tric, é imenso: “Começamos a pesquisar camisas estampadas na música, no cinema, nos seriados de TV. Apareceram diversos personagens que usavam camisas e que tinham em comum o fato de sempre terem personalidades marcantes e de assumirem o brega.” A marca começou devagarinho, como um samba preguiçoso de Chico Buarque, mas logo arrematou clientes que agora chegam pela internet e diretamente na loja Makumba (na rua João Telles, n. 531, no bairro Bom Fim em Porto Alegre).

Tudo é descomplicado: apenas uma modelagem, que vai variando em diversas estampas. A produção é feita à mão, o que confere às camisas um gostinho de passado e combina com a marca que tem os pés em outros tempos. De certa forma, trocar as camisas lisas e sérias por um pouco de humor e alegria é abrir uma brecha para o carnaval em qualquer época. Eles desatinaram – no melhor dos sentidos.

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Detalhes das peças da Tric Tric | Foto: Divulgação

Para encontrar Tric Tric: Facebook e Makumba (João Telles, 531, POA).

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The Cube: design e culinária // RM MAG

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The Cube Milão | Foto: Divulgação Electrolux

Em um conceito que une design e culinária de altíssimo nível, a Electrolux criou o projeto The Cube junto ao escritório italiano de arquitetura Park Associati. Situado em localidades exclusivas nas maiores capitais da Europa, trata-se de um restaurante itinerante que nasceu em comemoração aos 90 anos da multinacional sueca. O restaurante pode acomodar até 18 convidados em torno de uma única grande mesa, branca e minimalista, no centro do espaço de 150 metros quadrados. Ao final da mesa fica a cozinha aberta, onde os convidados podem interagir com o chefe residente e vê-lo criar o menu a ser servido. A disposição interna reflete o layout das casas escandinavas.

O roteiro pelo Velho Continente teve como primeira etapa o The Cube Brussels, construído na primavera de 2009 no topo do arco do Parc du Cinquantenaire, na capital belga. No alto deste local, o Cubo ofereceu a seus hóspedes uma vista rara do parque e do horizonte da cidade. A etapa seguinte foi Milão, onde a estrutura ficou no topo de um prédio antigo acima da Galleria Vittorio Emanuele II. Próxima parada: Estocolmo, na Suécia, onde o Cubo ocupou o topo da Royal Opera com vista para o Castelo Real e o Palácio do Governo sueco. Até dezembro de 2012, a estrutura permaneceu em Londres, na Inglaterra, em cima do Royal Festival Hall – mais uma vista espetacular, desta vez para o Rio Tamisa e Palácio de Westminster. Daí o Cubo segue para Moscou, na Rússia.

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The Cube Londres | Foto: Divulgação Electrolux

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The Cube Bruxelas | Foto: Divulgação Electrolux

Todos os chefs de cozinha escolhidos para o projeto são membros do Jeunes Restaurateurs d’Europe: nomes como Johan Jureskog, Mathias Dahlgren, Magnus Ek, Sat Bains, Bosi and Daniel Clifford, Jonray & Peter Sanchez, Bart De Pooter, Enrico e Roberto Cerea, Eros Picco, Christian e Manuel Costardi. Um detalhe interessante é que a cada dia os menus variam, imitando o que se faz em casa: os pratos são criados com a inspiração daquele momento, e os ingredientes são aqueles encontrados no mercado. Os chefs se alternam nas apresentações, enriquecendo a experiência com o fator surpresa.

O desenho do Cubo é uma reinterpretação da forma geométrica. Os arquitetos da Park Associati por trás do projeto tinham o desafio de criar algo que refletisse a estética da empresa de eletrodomésticos – linhas simples, minimalistas e na cor branca –, além de englobar a contemporaneidade escandinava. Como o próprio arquiteto Michele Rossi diz, ao mesmo tempo era preciso projetar uma célula que pudesse ser montada e desmontada com facilidade e criar uma estrutura adaptável a diferentes temperaturas.

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The Cube Estocolmo | Foto: Divulgação Electrolux

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The Cube Milão | Foto: Divulgação Electrolux

A arquitetura simples do Cubo fornece uma moldura contemporânea que não tira a atenção das vistas fabulosas. Os convidados do restaurante podem apreciar a paisagem através dos janelões que vão do chão ao teto, bem como por entre paredes de alumínio que levam cortes em forma de favo de mel.

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// Texto de Daniela Rozman para a edição #43 da RM Mag.

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Now Boarding: carta da editora // RM MAG

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Débora preparando a RM em Nova York | Foto: Arquivo Pessoal

Nunca soube exatamente qual o meu sonho de vida até sair do status quo. Quando houve a oportunidade de morar fora do Brasil, que deu aquele clic. Lembro com exatidão do momento no qual percebi que meu sonho de vida era conhecer o mundo. Claro que eu quero ter uma família, ser mãe e todo esse pacote, mas a sensação de pertencer a algo muito maior do que nós mesmos é algo que nem sei botar em palavras. E assim, sei que talvez esse sonho nunca seja realizado ou leve muito tempo para acontecer. Mas meu espírito livre e inquieto é a garantia de manter o foco e segurar esse desejo.

A edição #43 da RM Mag começou a ser desenvolvida em setembro de 2012, mas foi escutando uma entrevista recente de Beto Conte, diretor do STB Student Travel Bureau, que percebi que a RM de novembro/dezembro de 2012 vai muito além de retratar uma Nova York under construction – através do talentoso olhar do fotógrafo Messias Schneider. As páginas a seguir são o bilhete aéreo para uma viagem sem volta – pra nós, que sempre planejamos essa publicação com os olhos lá e cá, e para você, nosso companheiro de aventura.

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We <3 NY | Foto: Arquivo Pessoal

Quando embarcamos para um destino, enchemos a bagagem de expectativas e planos. E sair do lugar comum, além de ser uma bela chance de conhecer novos locais, pessoas e culturas, é a porta de entrada para a reflexão sobre si mesmo. Eu diria que é também uma viagem para dentro do seu eu. Ambas são fantásticas e espetaculares e nos transformam em cidadãos do mundo, individuos cosmopolitas. Foi bem dentro dessa atmosfera que pensamos a última edição de 2012 da RM Mag. Com o passaporte na mão e apenas uma mochila nas costas, apresentamos diversos retratos de pessoas fascinantes que pertencem a esse mundo vasto mundo.

E, já que se fala de ano novo, o desejo da redação da RM é de que sempre haja a gana pelo desconhecido e de que novos ares nos levem para onde quisermos. Que o céu seja só a plataforma para novas descobertas. Por aqui, as portas estão abertas, não precisa de visto e a imigração não barra ninguém. Vamos embarcar?

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Até logo, NYC | Foto: Arquivo Pessoal

// Carta da Editora Débora Tessler para a edição #43 da RM MAG.

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Casa dos Desejos: arte e arquitetura de Luciano Teston // RM Mag

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Apartamento do arquiteto Luciano Teston | Foto: Diego Larré

“Depois da roupa, a casa é o que está mais próximo do nosso corpo. É para onde voltamos todos os dias, o centro do nosso universo particular.” Desta relação de intimidade é feito o apartamento onde vive o arquiteto e artista plástico Luciano Teston em Porto Alegre: cada objeto ou móvel que habita a construção da década de 70 é visto com extremo cuidado – mesmo olhar que migra para o desenho, faceta revelada há poucos meses na mostra de Luciano sob curadoria de Amélia Brandelli.

Arquitetura e arte andam juntas na vida do idealizador do Studio Teston, especializado em projetos residenciais e comerciais. Transitando entre a casa-ateliê e o escritório, Luciano quer mais do que ser alguém que divide seu tempo entre o trabalho e o lazer. Quer ser múltiplo, assim como os tantos interesses que aparecem nos livros deixados pelas prateleiras e sobre as mesas da casa. “Minha paixão pelos livros é antiga. Uso este acervo para me abastecer e compor minhas referências. Mas dou igual importância às conexões e desdobramentos que surgem das conversas com as pessoas.”

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Apartamento do arquiteto Luciano Teston | Foto: Diego Larré

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Apartamento do arquiteto Luciano Teston | Foto: Diego Larré

A relação com os outros, aliás, distingue arquitetura e arte para Teston: no fazer artístico, o processo é totalmente individual – por ser solitário, chega a ser catártico. Já nos processos de arquitetura o cliente é sempre levado em consideração. “Preciso ser um intérprete do que a pessoa quer e respeitar este desejo. Muitas vezes a solução de espaço é evidente para mim e de imediato imagino o que ficaria bom para um ambiente. Mas se eu der a resposta sem conversar talvez o futuro morador da casa não se identifique com a ideia. O cliente precisa integrar o raciocínio que leva ao projeto final.”

Na arquitetura de interiores importa revelar a pessoa por trás das paredes e dos móveis – assim como as roupas falam também de quem as veste. “A questão do consumo nos empurra para sermos todos iguais por curtos prazos de tempo. Com a arquitetura busco o contrário. Assumir quem se é se torna uma condição do projeto.” O paralelo com a moda acontece também quando ele fala sobre o planejamento de um espaço: tal e qual uma peça-chave do guarda-roupas, uma peça de mobiliário pode desencadear toda uma proposta arquitetônica.

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Apartamento do arquiteto Luciano Teston | Foto: Diego Larré

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Apartamento do arquiteto Luciano Teston | Foto: Diego Larré

Avesso ao desperdício, o arquiteto diz que móveis clássicos não se submetem à defasagem imediata. Algo que fica claro nas escolhas que ele fez para o próprio lar: grande parte da mobília foi desenhada no século XX, entre as décadas de 20 e 70 – “período muito profícuo para o design”, ressalta. A composição, no entanto, não fica presa ao passado. “A casa nunca é estanque, está sempre em movimento. Quando há uma base, é possível inserir itens novos e realizar trocas sem que seja necessário jogar tudo fora.

A beleza, para o arquiteto-artista, está em trabalhar com coisas simples que não sejam óbvias. O núcleo do projeto para uma casa está nas linhas, nos planos horizontais e verticais que criam uma geometria própria: ”Apesar de toda a minha estética da acumulação, sempre deixo espaços.” Respiros que também caracterizam os desenhos de arte feitos por Teston, os quais seguem a mesma lógica: uma concentração de traços sempre é coordenada com o vazio, com zonas brancas. A percepção do espaço é importante para valorizar o que é essencial: “Quando faço um desenho me referindo a um objeto qualquer ele assume um outro significado e liberta a poesia que deriva do traço.”

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Desenho de Luciano Teston

O desenho de Teston fala sobre o próprio desenho: “não quero inventar um discurso. É a linha e a forma como o trabalho se configura que importam.” Ao desenhar, Luciano sente que existe uma ligação direta entre o cérebro e a mão: “o grafite é quase uma extensão do corpo”. Mesmo gesto praticado por ele na infância, quando pintava de fora a fora com giz as calçadas que rodeavam a casa da família. O imaginário é hoje repleto de lembranças de outros tempos, de referências cinematográficas e de experiências de viagem. A primeira feita por ele, lembra, aconteceu pelos livros: “Tinha 8 anos quando meu tio me falou que Veneza era uma cidade preenchida por água. Não acreditei, pensei se tratar de uma grande mentira. A curiosidade me levou a pesquisar em uma enciclopédia e a comprovar que era tudo verdade. Veneza criou meu primeiro interesse pela arquitetura e pela arte”.

O arquiteto-artista que não teme ser múltiplo sabe que, dentro de casa, pode ser o que quiser. “No momento em que a porta se fecha há sensação de ninho e de proteção. É possível se despir dos julgamentos, rir ou chorar.” Por ter consciência disso, Teston tem muito respeito pelos ambientes onde trabalha: em síntese, é ali que a individualidade se fortalece. Dentro de casa, assim como dentro da própria roupa ou dentro da própria pele, há vida concentrada. Não se deve, portanto, ser impecável: é preciso colocar os pés sobre a mesa, comer no sofá e jamais ter medo da desordem.

// Texto de Raquel Chamis para a edição #43 da RM Mag.

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Plataforma de Criação para Novos Talentos

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Revista J`adore | Foto: divulgação

Para quem gosta de arte e dos seus diferentes estilos, acaba de ser lançada a revista J’adore. Criada para unir em um só lugar tudo que tem de mais legal em forma de arte, a publicação apresenta fotografia, design, história em quadrinhos, ilustrações, 3D, cartoons e arte urbana – um verdadeiro museu em papel com trabalhos artísticos de todos os estilos.

Idealizada pela diretora de arte e publicitária Pâmela Morrison, o projeto é perfeito para o público insaciável pela arte.  Segundo Pâmela, a ideia é que a publicação seja dinâmica e interativa, sempre incentivando os artistas a exercerem e mostrarem seus trabalhos e funcionando como uma plataforma de criação pronta para receber novos talentos. “A revista é para isso: inspirar e motivar as pessoas a colocar seus projetos e suas ideias em prática, a trabalhar com o que se ama, a fazer tudo da forma mais bonita e criativa possível, e com muito amor”.

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Trabalho feito em caneta bic vermelha sobre papel reciclado, de Alana Boop Beulke

A publicação, bimestral e gratuita, será distribuída nas cidades de Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e na capital argentina Buenos Aires. J’adore conta ainda com uma edição online, onde o leitor pode acompanhar entrevistas exclusivas com os artistas. Para Pâmela não há por que delimitar o acesso, já que o projeto é feito por e para os famintos por arte de todos os lugares do mundo. “A revista é pra conectar pessoas, fazer com que elas troquem experiências, pontos de vista culturais. É para dar chance para vários tipos de artistas, não importa de onde ele é, o que é. A revista não quer ter fronteiras”, afirma a publicitária.

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Fortress to Solitude: arte contemporânea pela internet // RM Mag

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Carrossel (2012), de Dulphe Pinheiro Machado

Ampliar o alcance da arte a partir da união de jovens fotógrafos. Este é o objetivo da galeria nova-iorquina Fortress to Solitude, nome que para os aficionados por quadrinhos pode soar mal. Afinal, era em Fortress of Solitude – ou fortaleza da solidão, assim mesmo, com of – que Super-Homem restabelecia as forças de herói de Metrópolis. A mudança de preposição, porém, não se trata de equívoco: foi ideia do curador Guillermo Creus, que ao implementar o projeto queria escapar do retiro que era seu próprio estúdio. Argentino radicado em Nova York, Creus sentia o quanto o enclausuramento do fazer artístico tirava-lhe os olhos do mundo. De sozinho se fez gregário, e com o devido ajuste no nome criou a galeria cuja tradução em português é “barreira para a solidão”. Assim, no espaço virtual, um coletivo de artistas se encontrou, abriu as janelas e encheu de visitas a sala de estar.

Alemanha, Brasil, Dinamarca e Estados Unidos são os países de origem de alguns dos artistas que compõem a galeria. A ponte Brasil-Estados Unidos foi feita por Francine Kath, que há alguns anos trocou Porto Alegre por Nova York para cursar o mestrado em História da Arte. Levou da cidade natal obras de Dulphe Pinheiro Machado, Romy Pocztaruk e Tulio Pinto, e ajudou a compor uma lógica bastante semelhante à de uma rede social: vinculado ao projeto, cada artista ou curador difunde não só o próprio trabalho mas também as obras dos outros.

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Tramberg I (2012), de Romy Pocztaruk

Se os colaboradores são de vários países, o formato é preferencialmente a fotografia. “Defendemos que a base seja fotográfica, porque ao imprimir o trabalho temos a obra em si mesma”, afirma Francine, curadora assistente e coordenadora de projetos da galeria. O resultado dessa escolha é a possibilidade de vender obras a custos acessíveis e de derrubar as tradicionais barreiras que afastam o público da arte. Aos poucos, os curadores desejam quebrar o estigma de que o museu é um templo.

A escolha pela plataforma virtual não foi imediata. No início, a intenção era estruturar uma galeria física que acomodasse os trabalhos sob o mesmo teto. Com o prédio escolhido, faltava apenas a assinatura do contrato para concretizar o projeto – mas uma série de contratempos burocráticos deu chance ao pensamento. A alternativa virtual acabou se impondo e a Fortress ganhou em flexibilidade o que perdeu em enraizamento: agora promove exposições em locais variados e colabora com diversos projetos de arte contemporânea ligados a instituições públicas e privadas.

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Francine Kath, curadora assistente da Fortress to Solitude em NY

O movimento é de mão dupla entre on e offline, dois ambientes que, somados, aumentam o impacto das obras. “Especialmente para quem lida com fotografia a presença online é fundamental. Conhecer o trabalho de um artista em um espaço cultural e não encontrá-lo na internet é frustrante. Da mesma forma, o mero contato pela rede extingue a experiência de ver a foto ampliada e de perceber seus possíveis sentidos”, diz Francine.  A ideia da Fortress to Solitude agrupa bem esses dois aspectos ao propiciar o contato visual e em seguida entregar a arte materializada em papel. A tiragem é de apenas 25 peças e todas as obras são numeradas e assinadas.

A vida em Nova York expõe os curadores de Fortress to Solitude a doses diárias de contato com o ambiente artístico – algo que, de acordo com Francine, às vezes é “quase sufocante”. Em meio a tantos artistas e estímulos visuais, o olhar treinado dela e de Guillermo é determinante para a criação de um espaço com identidade e relevância. “Não podemos colocar todas as obras de que gostamos no catálogo, afinal não é tudo que funciona para o site.” Em tempos de banalização do termo “curador”, Francine conclui que é preciso dosar embasamento teórico de história da arte com muita prática. E assim confirma a sensação que teve Guillermo ao abrir as janelas do próprio estúdio: para montar uma galeria, ainda que virtual, é fundamental colocar os pés na rua – se a arte nasce muitas vezes da solidão, é entre gentes que se fortalece.

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Lines - Landscape Action (2012), de Tulio Pinto

Site da galeria virtual: fortresstosolitude.com

// Texto de Raquel Chamis para a edição #43 da RM Mag.

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Música na Sala de Casa

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Edu Conte | Foto: Gabriel Not

Na sala da própria casa: tem maneira mais acolhedora de se começar um novo momento da vida? Pois foi este o lugar escolhido por Edu Conte para marcar o início de sua carreira de compositor. Advogado, largou tudo para investir na música, a grande paixão – e, como costuma dizer, deixar a “vida de formiga para se tornar cigarra”.

No dia em que completa 35 anos, Edu lança na internet algumas das músicas de sua autoria (Sobre Cigarras e Formigas, Barcos, Faixa 1 de Disco Nenhum, Tempo Pra Gente e Alguém). Pela rede ele ainda apresenta o Show de Apartamento, transmitido ao vivo a partir das 20h30 de hoje (para conferir, basta clicar aqui). E não se trata de um dia apenas: a cada mês o artista fará uma nova edição, em um formato que inclui também outros músicos.

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Edu Conte | Foto: Gabriel Not

O show será filmado em Porto Alegre pelos cineastas Paulinho Azevedo e Mateus Philippi. O site é  criação de Ismael Goli, e a produção musical do projeto ficou por conta de Tony De Lucca. Quem acompanha Edu Conte é a Banda de Apartamento: Alexandre Cereja (Bateria), João Rocha (Baixo) e Renato Dall Ago (Piano e Trompete).

Mais informações no site e na fanpage.

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