Antes de alinhavar a vida de vez com a moda, a estilista e empresária gaúcha Mariana Martinez se formou em psicologia. Apaixonada pelo vestuário, foi a partir da brincadeira com a customização em jeans, por volta do ano 2000, que a moça percebeu que o coração batia mais forte rumo ao corte e à costura. Estudou no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, mas não se adaptou aos cursos que mostravam a moda como “desenho e glamour”. A desilusão com a teoria somada à ambição e à vontade de redescobrir o segmento a levou a aprender tudo na prática.
O conhecimento em marketing, adquirido na pós-graduação, auxiliou a estilista no start para a construção do próprio negócio. Mari registrou a empresa em 2005, e logo começou a aplicar a criatividade em peças de moda fitness, segmento muito em alta com o trabalho de designers do calibre de Stella McCartney – que então começava a assinar modelos da Adidas. E foi nesse embalo que, sob o selo de Mariana Martinez, a estilista deu cara nova a roupas destinadas à prática de exercícios.
Na intenção de desenvolver uma linha fitness mais refinada, Mari buscou fornecedores com tecidos variados e percorreu todos os cantos do país em busca das opções diferentes. O problema surgiu quando a estilista foi atrás de mão de obra para produzir toda aquela união de formas e cores que só faziam sentido para ela. Ninguém topava a ideia de fazer roupas incomuns com um tecido comum como a lycra. Apesar de todos os desafios, Mariana decidiu apostar todas as fichas no projeto: investiu em todo o maquinário necessário, montando a própria produção.
O resultado veio logo: com seis meses de mercado, a marca foi convidada pela Apex-Brasil para participar da Semana de Moda de Madrid. Em terras espanholas, a estilista dividiu espaço com estandes de Alexandre Herchcovitch, Neon (de Dudu Betholini e Rita Comparato) e Alessa (de Alessandra Migani). E o mais legal: por lá, todos estavam pura e simplesmente representando o rico caldo de criadores brasileiros.
A partir de 2008, Mariana teve que deixar a moda fitness de lado em função da escassez de fornecedores, que pecavam na falta de opções de materiais para o desenvolvimento das peças. Na ocasião, ela se viu obrigada a não deixar o sonho se apagar e continuou trabalhando. Com ousadia inspirada nas coleções de outros colegas de profissão, como Herchcovitch, as criações da Mariana reafirmam uma identidade que foge de regras e padrões estéticos. É na personalização de cada item e no cuidado na hora da confecção que a estilista ganha reconhecimento no mercado. A marca está presente nas novelas globais e principais revistas de moda, além de participar de importantes showrooms como o Galpão 8, Fashion Business e o concorrido Minas Trend – feira preview que tem uma rigorosa curadoria.
Engajada com a nova ordem cultural da moda, que visa reciclar e reutilizar produtos, Mariana dá vida aos rolos de tecidos não utilizados e esquecidos no atelier. Com a ajuda dos fornecedores, a designer aplica estampas e intervenções sobre a arte anterior, dando novo uso ao material e evitando o lixo como destino. Além disso, com a febre do couro e as diferentes técnicas e formas de aplicá-lo em peças e acessórios, Mari buscou inspiração dentro d’água: o couro de pescada e de pirarucu, peixes do nordeste brasileiro, são beneficiados em terras gaúchas, e as escamas se destacam com uma cor e um toque todo especial nas mãos da estilista.
Assim, durante nosso papo, Mariana deixou claro que exercita a psicologia de formação através da paciência com todas as etapas do processo criativo. “Eu sei o que tenho que fazer quando desenho toda a coleção, mas tenho que entender que cada tecido se comporta de uma maneira diferente”, afirma. No ritmo de sempre “se adaptar ao estilo de venda”, a empresária gosta de “sentir o mercado” e renovar o jeito de fazer moda.
O atelier da designer fica em Porto Alegre, na Rua Felipe de Oliveira 1369. E quem der uma passada por lá pode ter o privilégio da presença do Beto – labrador da Mari que, todo querido e molhado, deu boas vindas à nossa equipe em um dia chuvoso e ainda fez pose para as lentes do fotógrafo Ricardo Lage.








