Fotografia, na definição clássica de Henri Cartier-Bresson, consiste em colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração. O “momento decisivo” de que tratava o fotógrafo francês, porém, há muito tempo ganha pequenos ajustes depois do clique. Pinturas, bordados e mais recentemente o próprio photoshop são recursos que diminuem a distância entre realidade e sonho no resultado final da imagem.
Em exemplo bem ilustrativo, o site Update or Die mostrou retratos pintados do nordeste brasileiro, tratando-os como uma espécie de Photoshop low-tech. Técnica bastante popular no século XIX, consistia em fazer pinturas sobre a foto em preto e branco – às vezes acrescentando joias, auras celestiais nas crianças e (sim!) parentes que já nem viviam mais.
A interferência de Alexandra Valenti sobre as fotos também tem um resultado incrível. O clique que abre este post mostra Leslie Crow adentrando universos praticamente mágicos depois que a cor invade imagens em preto e branco – vale a pena dar uma olhada na série completa.
O trabalho sobre imagens fica ainda mais interessante quando também aproxima épocas distintas. Assim, fotografias de outros tempos ganham cores, novos contornos e até texturas que acabam por ressignificar um projeto dado por encerrado. Não é o que se percebe na série Hair Sculptures, de Maurizio Anzeri? Sobre as fotos, ele afirma: “Inspiro-me nas minhas próprias experiências e na observação de como, em outras culturas, corpos humanos são tratados como símbolos gráficos vivos. Uso costura e bordado para marcar o espaço com sinais e traços. Estou interessado nas histórias das pessoas e na relação entre a intimidade e o mundo exterior (em entrevista para o site Trendland).
Por aqui, Rochele Zandavalli também utiliza a técnica de bordado sobre imagens antigas. Para quem quiser lembrar, falamos sobre a artista quando bolamos um roteiro de arte em bordado para visitar em Porto Alegre.
Inspiração sem fim!




