Rejected Samples

Entrevista com o Eyewear Designer Maurício Stein

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O designer Maurício Stein

O gaúcho Mauricio Stein é o eyewear designer à frente da Mau Stein e da Rejected Samples. Além disso, ele caiu no gosto de importantes marcas internacionais, e agora assina modelos de óculos de Topshop, Topman, Urban Outfitters, Zara e ASOS. Diretamente de Londres, onde está radicado há alguns anos, conversamos com ele.

 1 – O que motivou tua saída do Brasil? Esse trânsito entre países interfere na tua vida profissional?

Saí do Brasil porque queria acelerar meu processo de independência, morar sozinho e trabalhar na minha área. Também queria estudar, mas achei que entrar em um curso assim que chegasse na Europa seria um erro: precisava perceber melhor o que rolava na minha volta, viajar, conhecer pessoas novas. Enfim, filtrar informações e achar uma área ou grupo criativo para me inserir aqui em Londres. Foi o que fiz, e no início meus amigos eram todos ligados à moda, menswear especialmente. Assim, aos poucos fiz a transição de desenho industrial pra design de acessorios e trend forecasting. Algo que no Brasil, onde era designer de móveis, nunca tive a oportunidade de desenvolver e que aqui veio naturalmente para mim.

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2 – A Rejected Samples dá vida nova aos óculos que as marcas consideraram ousados demais para o público em geral. Criar para quem está acima deste padrão mainstream é desafiador ou mais simples, já que há mais espaço para a criatividade?

É mais simples porque eu me identifico mais com este consumidor. Trabalho para muitas marcas mainstream, seja criando ou dando consultoria, e busco ideias para produtos que serão vendidos num futuro não tão próximo, duas ou três estações à frente. Assim muito do que eu desenvolvo é conceitual e acaba virando REJECTED – claro que nunca sem antes passar pelo olhar crítico do meu irmão Eduardo Dechtiar, que é o visual identity director da marca.

3 – Como é a tua relação com a moda? Lemos por aí que tu és uma “antena de tendências ambulante”. No teu dia-a-dia, como essas informações aparecem no teu estilo?

A moda, o que está nos catwalks, revistas e vitrines não me interessa muito. Estudo style movements e pop culture, busco referências nas ruas, nos jovens e as interconexões de diferentes meios na concepção de tendências artísticas e/ou de consumo. Tenho fascinação quase antropológica por gerações passadas, e como fui adolescente nos anos 90 uso muitos elementos dessa era nas minha criações e no meu estilo. Viagens também me inspiram: cidades como Tóquio, Berlim, São Francisco e Reykjavik sempre me fazem rever meus conceito.

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4 – Como é encarar a marca pessoal – Mau Stein – em comparação com tantas experiências em marcas como Topshop, Topman, Urban Outfitters, Zara e ASOS? O que muda na hora de assinar as peças com o teu nome?

Gostaria de falar em total liberdade criativa, porém não foi bem assim. Para minha primeira colaboração com a ASOS tive que fazer uma retrospectiva de todas as colaborações que fiz no ano anterior, junto a designers que, como eu, faziam parte da nova geração de Londres – vendíamos nossas pecas na MAchine_a, cult store infelizmente extinta. Fiz uma releitura um pouco mais comercial, já que a Asos vende ao redor do mundo e produzimos cerca de 1.200 unidades. Já para minha SS13 Collection, que estou desenvolvendo “as we speak” aqui em Shanghai, retomei uma direção mais conceitual. A inspiracao foi minha recente road trip na Califórnia, filmes como Valley of the Dolls e Natural Born Killers, painter Will Cotton e o som novo de bandas como Haim, Grimes e Die Antwoord. Na minha volta a Londres, assim que os protótipos ficarem prontos, farei um short film da coleção.

[e para quem quiser ter em casa um modelo do Mau Stein, basta clicar no link!]

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Quatro-Olhos

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Óculos criativos, cheios de bossa e às vezes difíceis de produzir – e que, exatamente por isso, não se direcionam ao grande público. Reprovados por marcas famosas para produção em maior escala, esses modelos incríveis ganham novo destino com a Rejected Samples, grife criada pelos irmãos Maurício e Eduardo Stein.

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A dupla, que reside na Europa – Londres e Milão, respectivamente – têm como princípio reunir os óculos que antes seriam descartados e direcioná-los aos estilosos de plantão, que amam os modelos superdiferentes e ousados. Desenvolvidos por eyewear designers de vários pontos do mundo, os protótipos seguem todos os padrões de qualidade exigidos, e contam ainda com exclusividade absoluta por jamais terem sido produzidos em escala.

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Considerados ovelhas negras do design, esses óculos têm feito sucesso em cidades como Londres, Milão, Tóquio, Bergamo, Praga e Berlim, e agora prometem fazer a cabeça dos porto-alegrenses, que podem encontrá-los na Lua Pop Up Store, na Oi Gracia e na  Budha Khe Rhi.

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E para os ousados de verdade:

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