Música

Amor para fazer rock. Amor para mostrar que se vive.

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O músico Daniel Tessler, no show da Tess no Ocidente | Foto: Fábio Alt

“Banda é casamento.” Assim Daniel Tessler, vocalista e guitarrista da Tess, define o trabalho com a música. É de amor, afinal, sua relação com o rock. Doa-se de coração sempre que compõe, ensaia e escreve – e não apenas sobre romances. Fala também sobre os encontros com as pessoas, a melancolia das cenas cotidianas, a família. A matéria-prima de suas canções, enfim, é o deslumbramento que tem em relação à vida, tanto no seu lado ruim quanto no bom. Para o músico de 28 anos que nunca deixou de escrever cartas de amor, não há medo em falar dos próprios sentimentos: canaliza para suas letras tudo que transborda.

Prestes a lançar o primeiro CD com a banda nova, lembra de quando começou a tocar teclado a pedido da mãe, admiradora de música clássica. “Eu era obrigado, não gostava”. Dois anos depois, um dos momentos mais marcantes da infância seria embalado por um ritmo bem diferente: a rádio AM estava ligada quando Daniel ouviu Twist and Shout pela primeira vez. Ele jamais esqueceu: “Na hora eu me levantei e perguntei ao meu pai o que era aquilo. Ele me disse: ‘São os Beatles. Uma hora tu vais conhecê-los’.” O tom era premonitório. Daniel passou a estudar tudo que envolvesse os Fab Four e John Lennon virou seu ídolo supremo – posto que ocupa até hoje. Nascia um beatlemaníaco que assumiu como sua a estética sessentista do movimento Mod e que nunca deixou de acreditar no poder do pop.

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Daniel Tessler, Saymond Roos, Rodrigo Fischmann e João Augusto Lopes (Jojo) | Foto: Ricardo Lage

Tocou desde muito novo – Balfúrdios, Supersônica e Os Improváveis foram os nomes de alguns grupos – e integrou Os Efervescentes por 7 anos. “Neste período gravamos disco, fizemos turnê em São Paulo, tocamos fora do país. Existia muita unidade: nos vestíamos e falávamos do mesmo jeito.” O casamento da banda, porém, terminou – e neste intervalo surgiu o projeto da Tess. “Senti o baque da separação. Mas tinha conseguido um investidor e dois produtores para gravar um CD, então precisava preparar um disco.” Foi o que fez, apesar de naquele momento ainda não ter o quarteto completo – Saymond Roos, Rodrigo Fischmann e João Augusto Lopes (Jojo) chegaram ao longo do processo. “Eu não sou um músico solo. Apenas tive o azar de estar sem banda quando surgiu a oportunidade do CD”, explica Daniel, que admite não ter apreço pela solidão.

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A sala B do estúdio britânico Abbey Road, onde o CD da Tess foi masterizado

A necessidade de trabalhar sozinho, porém, o ensinou a olhar para dentro – há sentimentos que são difíceis de dividir. O principal deles é o embate diário pela carreira. Nestas horas, garante ele, a força é individual. “Em Porto Alegre um músico começa sabendo que não vai dar certo. Diferente do que costumam dizer, aqui não é a capital do rock.” A primeira frustração foi saber que a profissão escolhida não era apoiada por pessoas muito próximas. “Se eu ganhasse um prêmio hoje eu só agradeceria a mim mesmo, por jamais ter deixado de fazer música.” Daniel diz que um artista escuta diariamente que seu objetivo de vida pode ser apenas de um sonho. “Mas a música é uma profissão como qualquer outra e deveria ser encarada assim. Acho que se trata de nunca baixar a guarda.” Para isso é preciso ter disciplina: “Tenho que estudar muito. Acordo cedo todos os dias para escutar discos, escrever canções, ler livros de teoria e de partitura. São 40 tentativas até que se alcance a composição ideal. Ensaio exaustivamente”.

O lançamento do primeiro CD da Tess, previsto para março, é muito aguardado por Daniel. Ao observar a divulgacão do clipe colaborativo da faixa Sempre Junto e comemorar a confirmação da banda como uma das convidadas do Meca Festival,  espera iniciar um novo capítulo da vida e da carreira. Reconhece que é dono de um olhar romântico que causa dor e delícia na mesma medida. Mas é o incansável encanto pela música que guia todos os seus passos. “A natureza é capaz de demonstrar nos minutos que antecedem um temporal ou no por-do-sol a força da vida – e aí mora uma melancolia muito bonita. No meu caso, cada choro ou letra revela o que sinto: é minha forma de provar que estou vivo.” É de amor que ele fala.

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Daniel Tessler | Foto: Fábio Alt

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Os Mutantes – Ando Meio desligado

Música do álbum “A Divina Comédia”, de 1970.

Essa música é pra quem quer andar por aí despreocupado, não precisando saber de tudo o que acontece ao redor pra chegar onde quer.

* Daniel Tessler é músico, compositor, produtor e DJ. Gosta das coisas transbordando: do copo de cerveja a um choro sem explicação, o importante é que transborde. Musicalmente, adora coisas crocantes como soul, disco, rock e jazz, mas acha que o que vale mesmo é o primeiro take. É o responsável pela trilha do dia.

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O “não samba” de Mallu Magalhães

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O delicioso novo clipe de Mallu Magalhães é daqueles que embala pensamentos desde os segundos iniciais. E foi feito a muitas mãos, levando a assinatura do The Wolfpack! – coletivo formado pelos diretores Zico Farina e Rodrigo Pesavento, pelos designers Leti Barcellos e Antônio Torriani e pela estilista Helen Rödel.

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 A ideia era fugir do samba óbvio, era o não samba. Nada de instrumentos musicais ou paisagens brasileiras. Até tem o tropical, mas é alguém que está partindo, o gélido de alguém que está distante e quer voltar. Saudade e vontade de trazer alguém de volta: é o que mostramos com Mallu ora de malas prontas, ora sozinha numa piscina fria fora de estação. Quente e frio bem marcados na cenografia, na beleza da Aline Matias, na fotografia de Juliano Lopes e no look da Psycho, diz Pesavento.

O pré-lançamento aconteceu hoje, em São Paulo, e chega à MTV amanhã. A produção é da Zeppelin Filmes.

/ficha técnica

Direção: The Wolfpack

Direção de fotografia: Juliano Lopes

Direção de produção: Tai Melo

Figurino: Helen Rodel

Produção de Figurino: Shanitz Nunes e Isadora Bertolucci

Beauty: Aline Matias

Produção de elenco: Yago Warren

Pós produção: Psycho n’look

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50 anos de Rolling Stones!

The Rolling Stones faz parte da tríplice coroa do rock: The Beatles, The Rolling Stones e The Who. Essas são as 3 maiores bandas de rock da história na minha opinião. Eles conseguiram traduzir em uma frase tudo aquilo que a juventude sente e pensa, em qualquer época, independente de cor, país, religião, movimento. Independente de qualquer coisa, TODOS os jovens SEMPRE vão pensar e sentir: I can’t get no satisfaction. Os jovens querem mais, querem ir além. E os Stones traduziram isso perfeitamente.

Não saberia dizer qual é a minha música predileta deles. Tem várias que curto MUITO. Mas acredito que o disco predileto seja o Exile On Main St., de 1972. Eles estavam exilados na França por terem tido problemas com os impostos. Não podiam voltar pra Inglaterra. O momento era ruim pra eles. Esse disco tem rock, blues, música negra. É demais, é sangue no olho. Se fosse escolher alguma música desse disco, talvez fosse “Rocks Off”,”Rip This Joint” ou “Tumblin Dice”. Enfim. Rolling Stones é rock! É o bicho!

* Daniel Tessler é músico, compositor, produtor e DJ. Gosta das coisas transbordando: do copo de cerveja a um choro sem explicação, o importante é que transborde. Musicalmente, adora coisas crocantes como soul, disco, rock e jazz, mas acha que o que vale mesmo é o primeiro take. É o responsável pela trilha do dia.

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Trilha do Dia: Saudade, de Tess por (e para) Selton.

A trilha de hoje é especial: Saudade, música do Daniel Tessler, ganhou versão da banda Selton – não por acaso, foi escrita para eles, como o Daniel conta no texto abaixo:

“Declarações de amor são feitas para amantes, animais, vida, momentos e, talvez principalmente, para amigos.
Essa música foi composta para os amigos. Em 2005, o nosso grupo se separou. Boa parte foi morar em Barcelona e depois se mudou para Milão, onde estão até hoje.
A saudade é um sentimento bom e ruim. Quente e frio. É um paradoxo. Quando compus essa música, foi pra mostrar o quanto amo meus amigos que naquele momento estavam longe de mim.
É difícil estar longe dos amigos. Dos melhores. Amigos da vida, desde sempre. Quase como se a gente tivesse nascido no mesmo minutos e nos olhado: “poxa, somos amigos a partir de agora até sempre”. Esse é o sentimento.
Essa música é para quem ama seus amigos.
Quem tem amigos, tem tudo”.

[E para quem quiser conferir esta e outras músicas do Dani ao vivo, quinta, dia 28 de junho, a TESS se apresenta no Ocidente Acústico. Com a parceria de Saymond Roos (Reverso Revolver) e Rodrigo Fischmann (Dingo Bells), Daniel Tessler vai fazer um tour pelas 12 faixas que compõem o novo disco - em fase de finalização. Gravado entre Porto Alegre e Gramado, o álbum tem produção e mixagem de Vini Tonello, direção artística e A&R de Raul Albornoz e masterização feita no lendário Abbey Road Studios, em Londres. Para aquecer o espírito, alguns drops musicais já estão na fanpage da banda no Facebook: http://www.facebook.com/pages/Tess-Oficial/382741668407613 ]

 

* Daniel Tessler é músico, compositor, produtor e DJ. Gosta das coisas transbordando: do copo de cerveja a um choro sem explicação, o importante é que transborde. Musicalmente, adora coisas crocantes como soul, disco, rock e jazz, mas acha que o que vale mesmo é o primeiro take. É o responsável pela trilha do dia.

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Luísa Sobral: a voz “para algo que a guitarra quer dizer”

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A cantora, compositora e guitarrista Luísa Sobral é considerada uma das revelações da música portuguesa. Fruto do rico caldo de culturas presente em Lisboa, Luísa saiu do anonimato em 2003, aos 16 anos, depois de integrar a edição Portugal do programa Ídolos. De lá resolveu desenvolver toda sua habilidade musical e ganhar o mundo. Ainda pouco conhecida no Brasil, ela presenteou a nossa equipe com uma entrevista em meio à agenda lotada de shows pela Europa.

Aos 17 anos, Luísa fez uma programa de intercâmbio e acabou o último ano de escola nos Estados Unidos. “Lá comecei a ouvir jazz e estudar sua linguagem”. Depois de ser selecionada para Berklee College of Music – escola que abrigou vozes como Esperanza Spalding e John Mayer – ela, “fascinada com as aulas, os professores e a diversidade cultural”, desbravou todas as vertentes do jazz durante os 6 anos de vivência internacional. Durante a estadia em Boston, a cantora teve contato com o trabalho de Billie Holiday, Chet Baker e Ella Fitzgerald. A partir dessa temporada, a carreira da rapariga só ficou mais recheada por importantes premiações musicais que dão a dimensão do talento: Best Jazz Song, no Malibu Music Awards (2008),International Songwirting Competition (2007) e The John Lennon Songwriting Competition (2008).

Dona de uma voz aveludada e de um sotaque que vai além da dolência e melancolia comum nos fados, a cantora transparece toda a doçura de suas canções quando perguntada sobre seu processo criativo: “A inspiração para mim está na própria canção. É como se um acorde pedisse outro e ao mesmo tempo pedisse uma palavra e uma melodia. É como se eu apenas fosse o veículo para algo que a guitarra quer dizer”.  A maioria das composições são arranjadas por grandes instrumentistas que também compõem a banda: Filipe Melo (piano), Carlos Miguel (bateria) e João Hasselberg (contrabaixo), acompanham a cantora em um “pop jazzy” com muito humor e delicadeza.

A experiência com a língua inglesa desde muito nova é um dos fatores da predominância do idioma nas composições. De volta à capital portuguesa, Luísa Sobral está cada dia mais interessada em incorporar a língua mãe na hora de escrever : “Quanto a compor majoritariamente em inglês deve-se ao facto de sempre ter ouvido muita música em inglês, e por ter vivido por lá. Agora que voltei para Portugal, estou a compor muito em português”, revela . As influências da música brasileira foram devidamente filtradas para as canções, e solidificam o trabalho da jovem lusitana: “A bossa nova e o choro talvez sejam os dois estilos com que mais me identifico. Gosto muito de Chico Buarque, João Gilberto, Pixinguinha, Elis Regina e Paulinho da Viola”.

A empatia com os instrumentos pode ser conferida no seu primeiro disco “The Cherry on My Cake”, lançado em março de 2011. A ideia do nome do álbum surgiu de um sonho da mãe de Luísa. “A Cereja no Topo do Bolo é uma expressão que quer dizer que uma coisa já é muito boa, mas algo acontece que faz com que se torne ainda melhor”. Agora é só aplicar a metáfora por aqui para fazer o fenômeno Luísa Sobral subir aos palcos brasileiros. Se ela virá? “quando me convidarem :) ”.

Mais informações no site da Luísa.

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Chuck Berry – Too Much Monkey Business

Lançada como single em 1956, essa música teve versões do próprio Elvis, Beatles e outros artistas. Vale lembrar que enquanto Elvis é o rei, Chuck Berry é o pai do rock and roll. Essa música é pra quem passa a semana recebendo trabalho de macaco pra ser feito!

* Daniel Tessler é músico, compositor, produtor e DJ. Gosta das coisas transbordando: do copo de cerveja a um choro sem explicação, o importante é que transborde. Musicalmente, adora coisas crocantes como soul, disco, rock e jazz, mas acha que o que vale mesmo é o primeiro take. É o responsável pela trilha do dia.

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